Quando oiço falar em amores que não são os certos, e já ouvi muitas vezes à laia de indirecta crítica para a minha situação, lembro-me daquela cena do Manhattan onde uma tolinha diz que anda a ter "the wrong kind of orgasms" e o Woody Allen, perplexo perante tal oxímoro, responde qualquer coisa do género, "I never had the wrong kind. Even my worst one were quite on the money".
terça-feira, 27 de março de 2012
domingo, 25 de março de 2012
And then you figured out you're alone again
No meu caso estou habituada a períodos ciclícos de fossa auto-induzida, que com introspecção e maturidade tirada a ferros, aprendi a contrariar. A vida devia ser sempre uma Primavera, conclui! No seguimento da adopção desta filosofia a Primavera passou a ser, aliás, a minha estação preferida do ano - e isto apesar da filha da puta da febre dos fenos que, obviamente, já me atacou e da sonolência resultante do anti-histamínico que passa a ser diário. Sou uma falsa social, falo muito e aparentemente estou à vontade em qualquer lado. A verdade é que na maioria dos cafés/jantares/eventos/etc/etc em que estou, supostamente divertíssima, só penso na hora em que já é educado apresentar a minha razão (previamente pensada) para debandar. Sempre tive tendência para ser bicho-do-mato mas com o avançar do anos aprendi a não disfarçar, porque entretanto também percebi que não tinha de fazer fretes. A consequência é a solidão, quebrada só quando eu quero e com um grupo restrito de pessoas. Uma solidão que é minha, que em vez de me deprimir me aconchega. Quando o conheci e tive de viver uma relação de anos de on and offs, de emoções tão fortes e mal resolvidas que em vez de juntarem só afastam e isto porque é extremamente ténue a linha entre as coisas boas e más da paixão, conheci também a verdadeira solidão. E pareceu-me na altura, em que a senti pela primeira vez, que tinha esmagado todas as costelas e que os meus pulmões tinham sido comprimidos de tal forma que nem uma partícula de ar podia entrar no meu corpo. Quando comecei a falar com ele percebi que aquela frase tornada mítica, da Mia Wallace no Pulp Fiction, era uma treta: que sabemos que encontramos alguém mesmo especial não quando conseguimos partilhar um silêncio confortável com ela mas sim quando não há sequer lugar a qualquer tipo de silêncios. E quando não há silêncios e passa a existir nada mais do que silêncio, aparece então a tal solidão. Antes, sentia-a com especial intensidade quando estava triste, mas nestes últimos dias, apesar do estado de espírito bastante cinzento consegui deixá-la num estado moderado. Porém, hoje recebi uma boa, tremenda notícia e após pegar no telemóvel e escrever as primeiras palavras, senti de novo esta infelizmente familiar sensação. Sabemos que estamos sós não quando temos uma má notícia para dar e não sabemos bem a quem recorrer (o que pode acontecer por inúmeras razões); sabemos que estamos sós quando estamos felizes e sabemos com quem queremos partilhar e não podemos.
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Há pouco, através do meu sempre rídiculo - descarado - lamentável - mas bem sucedido - hábito de ouvir conversas alheias enquanto finjo escrever sms, escutei a seguinte conversa, travada entre duas miúdas nos seus vinte e poucos:
«É assim, nem imaginas a minha cara! Tipo, mal chego ao Urban ela estava lá com a blusa vestida....E tipo, durante a semana, encontrámo-nos na esplanada da faculdade e eu estava com a minha vestida e ela com aquele ar super cínico dela, "Martaaa, estás tão giraaa". E passados uns dias, está com a blusa IGUAL no Urban...Passei-me mesmo..."
«Mas qual é a blusa?»
«Opá, aquela nova, já da nova colecção da Zara, preta com a parte de trás mais comprida»
«Muito mau».
Lição para as meninas: quem compra na Zara não pode exigir exclusividade.
«É assim, nem imaginas a minha cara! Tipo, mal chego ao Urban ela estava lá com a blusa vestida....E tipo, durante a semana, encontrámo-nos na esplanada da faculdade e eu estava com a minha vestida e ela com aquele ar super cínico dela, "Martaaa, estás tão giraaa". E passados uns dias, está com a blusa IGUAL no Urban...Passei-me mesmo..."
«Mas qual é a blusa?»
«Opá, aquela nova, já da nova colecção da Zara, preta com a parte de trás mais comprida»
«Muito mau».
Lição para as meninas: quem compra na Zara não pode exigir exclusividade.
sábado, 24 de março de 2012
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Inspirada por este post lembrei-me de contar o que se passou hoje aqui por casa. De manhã fui às compras a uma grande superfície comercial e depois de por a areia no carrinho, dirigi-me a zona dos géneros alimentícios felinos para munir a despensa com os idolatrados Whiskas Temptations - que são assim uns quadradinhos estaladiços de sabor a queijo (atenção, nunca os provei, sei que são estaladiços porque os oiço a trincar e o sabor vem escrito na embalagem) - quando entre caminho, dei de caras com a zona dos brinquedos. Sou uma dona rígida (ou forreta, se preferirem), têm direito a dois brinquedos novos por ano: um no Natal (para todos) e outro quando sai o Pirilampo Mágico, que vá-se lá entender, adoram e que destroem no espaço de dois dias. Mas ando carente e mole e penso que se calhar está próximo o dia em que serei só eu e eles. Decidi que então, que não deveria negligenciar mais esta relação e comprei-lhes uma prenda.
A prenda é um piu-piu adorável, de pelinho amarelo com umas penas rosas-choc nas asas, peito azul turquesa e bico de feltro cor-de-laranja. Da cabeça sai-lhe um fio elástico para, se o pendurarmos ele ficar a saltitar dando a ilusão de pairar no ar. Os quatro gatos estavam em lugares distintos mas com visão privilegiada da sala quando pendurei o passarinho em local estratégico, mesmo a jeito de ataque e matança feroz. Viram a subir-me para cima do banco, a abanar aquilo durante um pouco numa tentativa desesperada de os cativar e...não quiseram saber.
Ao fim de longos minutos a Gata Ariel - e só porque estava a passar ali perto - deu uma patada no pássaro e seguiu prontamente o seu caminho, sem sequer esperar para ver as consequências. Foi algo mais do género "sai-me da frente idiota, que não estou com paciência para ti."
Fiquei triste e julgo que depois disto não quero ter filhos. E se eles reagirem assim com as prendas de Natal?
sexta-feira, 23 de março de 2012
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Estava a reler os meus arquivos e cheguei ao primeiro post do ano. E foi aí que percebi. Que dali para aqui perdi duas pessoas na minha vida : aquela de quem me despedi antes de vir para casa naquela figura, uma das que surpreendidas me viu a chegar a casa naquela figura.
Não é a crise que nos deixa mais pobres, é a morte.
[seja ela de que categoria for]
Hoje não estou para grandes considerações mas...
Não há frase mais libertadora do que uma das últimas atribuídas a Cristo "Pai perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem". Se tivesse sido proferida por uma personagem do Joyce, teria bem mais impacto perante vocês eu sei. O perdão é overrated nesta sociedade filha da puta, onde o que interessa é aquela ideia tacanha de ficar por cima, de não deixar ninguém a rir-se ou a fazer de nós parvos, onde para evitarmos isso vendemos todas as nossas noção de moral, numa de retribuição equitativa, olho por olho, dente por dente. Acabei de fazer isso e sinto-me uma merda. Gostava de ser bem mais iluminada mas por agora só ambiciono a isso, a ser capaz de não magoar só porque fui magoada. Ainda não sou capaz de perdoar e contudo preciso tanto de ser perdoada.
quarta-feira, 21 de março de 2012
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Lembrei-me há pouco, ao ver de novo a publicidade dos Ídolos, que o Tony Carreira veio substituir o lugar que anteriormente era ocupado pelo Marco Paulo. As pessoas culparam o declínio pela inexistência dos caracóis, Marco Paulo sem caracóis não é Marco Paulo. Contudo, a verdade é que o nicho- alvo recusou a tentativa de modernização de Marco Paulo à música romântica "moderna", numa era onde as permanentes deixaram de ser sexy porque já havia um sucedâneo. Um tipo mais novo, com uns ligeiros dentinhos à mentiroso (e dizem as más línguas com implantes capilares) que nas suas camisas de cetim, aborda o amor de forma ainda mais sentida, apaixonada, sem ir à brejeirice. O Tony teve sobre o Marco o mesmo efeito que a Madonna teve sobre a Debbie Harry. Toda a gente reconhece que foi uma grande coisa, mas é isso mesmo, já foi. Contudo, penso que grande parte das decepções amorosas e expectativas frustradas femininas deixariam de existir se nós mulheres deixássemos de acreditar em homens machucados pela falta de amor e carinho e tomássemos como certo que a única coisa que eles definitivamente procuram é a tal que seja uma lady à mesa e uma louca na cama.
Tudo o resto são detalhes.
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