A 13 de Março de 2012, à 1h15 da manhã, eu civilista de formação e de coração, acabei de parir uma tese em Direito Penal. É o equivalente a uma mulher de anca estreita a ter de lutar pela expulsão de um bebé cabeçudo. O que me alertou para o facto de eu ser uma mulher de anca estreita e que é melhor deixar-me de andanças das quais só resultarão uma tormenta prolongada e antecipo, qualquer coisa mediana com pretensões superiores descaradas aqui e ali. Nos últimos tempos estou especialmente vocacionada para o disparate, numa ânsia de querer tudo e negligenciar esse mesmo tudo, porque ao fim e ao cabo estou limitada pela mortalidade (e alguma estupidez) e pasme-se - não chego para essa universalidade de ambições. O que é curioso, porque em tempos, o que me empatava era a falta de ambições. Volto à tese, olho agora para estas inúmeras páginas ainda necessitadas de alguns ajustes de formatação e penso em como me estou a lixar para elas. Só queria acabar e nem era da saturação, era porque é uma realidade que não me acrescenta nada além de um grau académico. E estou-me a lixar para o grau académico. As ambições das quais falo não serão facilmente realizadas, porque ao contrário daquelas fornecidas pelo Direito, o caminho não vem impresso em calhamaços de 600 páginas, que até podem exigir uma leitura repetida devida à complexidade da exposição, mas que enfim, encerram ensinamentos. O que eu queria era aprender a amar, libertar-me daquele gostar de telenovela da TVI, de amuos, exigências e jogos-de-poder, as minhas ambições prendem-se em evitar um fosso, aquela solidão que sei que causo a quem gosto porque não sou capaz de abdicar da minha própria solidão. Eu civilista de formação e coração gostava apenas de conseguir mentalizar-me que o amor é um negócio gratuito e nunca oneroso. Mas tal como percebo pouco de Penal e acabei de escrever uma dissertação, também não sei um caraças de amor e meti-me num romance épico.