sexta-feira, 16 de março de 2012

Notas da experiência adquirida II

Podemos ser espectaculares - epá vou deixar o plural e fingir que isto não tem nada a ver comigo porque tem - eu posso ser espectacular e mesmo assim preparar-me para a eventualidade do que o que marca as pessoas ser aquilo que fiz  mal. Em tempos, entrava em esquemas de esmagamento de amor próprio, perguntava durante dias a fio em que parte da cadeia da árdua tarefa de agradar aos outros tinham fracassado, questionava porque é que tudo corria bem ao mundo inteiro menos a esta pobre diaba. Por isso, em tempos, desisti do meu trabalho, entreguei-me a uma depressão de quase três anos onde existiram dias em que não saía da cama, contentei-me com uma vida em modo piloto automático. Mas passou. Agora tive uma semana onde só se lembraram de mim pelo mau, parece que combinaram todos, lembrarem-se de ninharias. E eu no meu modo zen, a  tentar explicar que eram ninharias e a acabar por agravar tudo, porque quem se chateia por ninharias não admite que as classifiquemos como tal e fica pior do que um drag queen a quem se tira a peruca. E há pouco, estava sentada a tentar ler um pouco e senti um desânimo filho-da-puta, um ponto de interrogação gigantesco a perguntar "why the effort?". E depois lembrei-me: porque sou espectacular. E ainda há gente que não percebeu isso.

[e sobre as vantagens de seguir em frente ainda que amachucado recomendo ainda  este que decerto já terão lido, mas que vale a pena reler] 

quarta-feira, 14 de março de 2012

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Não há pior que crime que a injustiça. Poderiamos dizer que a injustiça é a consequência de todo o crime e, em alguns casos, aquilo que também o motiva mas eu vou além disso. A injustiça per se é um acto criminoso, agravado quando cometida por alguém que apregoa a sua imaculada noção de justiça. É por isso que ficamos tão chocados com vemos um juiz a aplicar uma pena que sabemos ser imerecida, seja porque é demasiado leve ou demasiado pesada, porque há uma exigência que recai sobre aquela pessoa de ter uma capacidade maior do que o comum para a razoabilidade. Este texto não era para ser necessariamente sobre a injustiça mas achei que estava a um passinho de distância. Ocorreu-me tudo ao ouvir aqueles argumentos secos e vazios de conteúdo pela excessiva premeditação, era injusto mas ia além disso. Lembrei-me de algo que ele me disse, há tempos de forma indirecta, que «todos nós eramos merda» e «que a ética era evitar sujar os outros». Pergunto agora também de forma indirecta, como é que alguém é capaz de dizer algo tão real e verdadeiro e depois, porque lhe é conveniente, fazer de conta que aquilo não lhe é aplicável.

terça-feira, 13 de março de 2012

A sério?



A passar na Radar, neste preciso momento.

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A 13 de Março de 2012, à 1h15 da manhã, eu civilista de formação e de coração, acabei de parir uma tese em Direito Penal. É o equivalente a uma mulher de anca estreita a ter de lutar pela expulsão de um bebé cabeçudo. O que me alertou para o facto de eu ser uma mulher de anca estreita e que é melhor deixar-me de andanças das quais só resultarão uma tormenta prolongada e antecipo, qualquer coisa mediana com pretensões superiores descaradas aqui e ali. Nos últimos tempos estou especialmente vocacionada para o disparate, numa ânsia de querer tudo e negligenciar esse mesmo tudo, porque ao fim e ao cabo estou limitada pela mortalidade (e alguma estupidez) e pasme-se - não chego para essa universalidade de ambições. O que é curioso, porque em tempos, o que me empatava era a falta de ambições. Volto à tese, olho agora para estas inúmeras páginas ainda necessitadas de alguns ajustes de formatação e penso em como me estou a lixar para elas. Só queria acabar e nem era da saturação, era porque é uma realidade que não me acrescenta nada além de um grau académico. E estou-me a lixar para o grau académico. As ambições das quais falo não serão facilmente realizadas, porque ao contrário daquelas fornecidas pelo Direito, o caminho não vem impresso em calhamaços de 600 páginas, que até podem exigir uma leitura repetida devida à complexidade da exposição, mas que enfim, encerram ensinamentos. O que eu queria era aprender a amar, libertar-me daquele gostar de telenovela da TVI, de amuos, exigências e jogos-de-poder, as minhas ambições prendem-se em evitar um fosso, aquela solidão que sei que causo a quem gosto porque não sou capaz de abdicar da minha própria solidão. Eu civilista de formação e coração gostava apenas de conseguir mentalizar-me que o amor é um negócio gratuito e nunca oneroso. Mas tal como percebo pouco de Penal e acabei de escrever uma dissertação, também não sei um caraças de amor e meti-me num romance épico.

domingo, 11 de março de 2012

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Percebo que com a idade cada vez menos fico surpreendida com algo, tudo devido à experiência própria e alheia. Se poucas coisas são aquelas que ainda me surpreendem, muito menos são as que me chocam, pelas mesmas razões. A reiteração torna-as apenas banalidades infelizes e a dor é apaziguada pela vulgaridade porque se aprende que nada do que é vulgar merece o nosso tempo, atenção, estado de espírito. A idade assim, ensinou-me a fintar a surpresa e o choque - o que não é mau, penso - já é representativo de uma martelada nos cornos bem menor do que as anteriores. Porém, não sei o que fazer ainda com a minha capacidade de desilusão. Desiludir para quem se ilude com extrema dificuldade, tem sobre o estado emocional da pessoa algo semelhante aos efeitos do terramoto de 1755 sobre a cidade de Lisboa. Continuo a ser uma miúda ingénua frequentemente acusada do oposto, de ser o lobo das relações, uma velhaca dissimulada num ar inofensivo do qual usa e abusa. No fim, fica sempre a fama sem o proveito, fico eu a bebericar tisanas relaxantes com um calmante dissolvido lá no meio, a chamar de novo o Marquês de Pombal que há dentro de mim para reconstruir isto tudo outra vez, consciente que um dia, todas as novas benfeitorias serão pequenas e fragéis de mais para aquilo que a minha ilusão ousar  criar numa outra nuvem.

quinta-feira, 8 de março de 2012

As prioridades de uma não - fashionista

Tenho convites mais do que VIP para a ModaLisboa. Tenciono ir claro, pelo vouyeurismo e pelos comes e bebes.