domingo, 5 de fevereiro de 2012

Ser mulher é mais ou menos assim (um texto para homens sobre mulheres que não se conseguem livrar de uma peça de roupa que lhes faz mal)*

Preocupada com o frio matinal que se faz sentir, abre-se uma das três gavetas destinadas a "agasalhos".Depois de remexer tudo, numa lógica de "depois arrumo", encontra um cachecol XL de uma malha trabalhada de um jeito original. "Ah, mas é tão giro, mas porque é que ainda não usei isto este ano?", pergunta-se enquanto já se enrola o citado em não sei quantas voltas de forma a que só o nariz fique à mostra e o pescoço pareça então ter a grossura de uma pata de elefante bebé. Sai-se para rua, satisfeita, confortável, quente, bonita. Passados dez minutos, uma comichão nada discreta começa a aparecer por debaixo do cachecol, e quando depois de algumas coçadelas energéticas mas pouco eficazes encontra um espelho, consegue perceber que a sua pele de Branca de Neve está às manchas bordeaux. Conclui então, porque é que até aquela data, não se tinha lembrado da existência do acessório. Contudo e depois de uma manhã árdua onde para não andar com aquela porcaria a inflamar-lhe a pele, tem de carregar com ele na mala, num volume suspeito para quem anda a entrar e sair de lojas, chega a casa e perdoa o epísódio, ao observar mais uma vez a cor verde garrafa que fica estrondosamente bem com os pretos e cinzas reinantes no armário. "Ah, não o vou deitar fora, para a próxima uso-o assim por cima da camisola e do casaco e não faz mal".

* será este texto mesmo sobre um cachecol?

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

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João César Monteiro filmou esta cena quando sabia que estava a morrer. Hoje, confrontada com as consequências da minha tendência cíclica para me meter em "lose-lose situations", recordei-me deste episódio. Até aí achava que a dor de cabeça era causada pelo gorro que usei para enfrentar a temperatura e que me apertava as têmporas mas depois apercebi-me que afinal eram só os demónios dos costume. Senti-me meio estúpida perante esta invejável capacidade de alguém, face à morte, consciente que não há um elixir da imortalidade e que a criogenia é banha da cobra, dizer com uma grosseria que se torna requintada pelo humor, "fui bem fodido". E penso nos desgostos de amor e quem diz desgostos de amor diz desemprego e quem diz desemprego diz a greve ou o frio ou os chatos da TMN que não param de ligar camuflados no número anónimo para impingirem novos tarifários, nas trombas franzidas que vejo nos transportes, nas minhas quando me olho ao espelho e detecto as primeiras rugas que não podem ser da idade porque uso um bom creme e suspiro. Aliviada, por finalmente perceber aquilo que o povo apregoa desde de sempre - haja saúde, que para tudo o resto há solução.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Estou quase a fazer anos

Digo isto porque nesta idade o único consolo dessa data é receber prendas. Não que eu quisesse algo em especial, bastam-me uns votos sinceros, uns beijinhos, uma sms...A sério, não estou a ver assim nada que eu quisesse muuuuiiiiiitooooooooooo....





segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

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Quando o Facebook me obrigar a adoptar a Cronologia vou logo assinalar a data em que me apareceu o período pela primeira vez. Numa de tentar enojar quem acha que tudo que se passa connosco é merecedor de divulgação pública.

sábado, 28 de janeiro de 2012

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Estas sextas-feiras têm sido um ascendente de emoção. Hoje cheguei a casa já passava das nove e meia da noite. Tomei um banho de imersão, fiz uma máscara hidratante que deixei actuar enquanto me intoxiquei em calorias de pizza e coca-cola. Vi televisão sem realmente ver nada em concreto. Enquanto estou aqui a escrever de pijama penso que a cama chama justificadamente por mim mas que na verdade, dava um dedo mindinho para que alguém mandasse uma mensagem que me levasse para os bons caminhos. Ou seja, aqueles que vão dar à magnífica varanda do Lux, às noites de copo quase sempre vazio na mão e às conversas que no dia a seguir fingimos que não tivemos.

[Alguém?]

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Das coisas que me remetem para um discurso interior cheio de alhos

Aquelas pessoas, normalmente mulheres, que à nossa frente no MB em plena hora de almoço vão com um cartão MB e tiram o extracto. Depois arrumam esse, tiram outro de um outro compartimento da carteira XL e pagam uma factura. Depois arrumam esse, tiram outro e carregam o telemóvel com cinco euros. Ah o que eu gosto das pessoas que têm dificuldade em assumir que não são ricas.

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Estou nervosa como tudo. Nos velhos tempos isto resolver-se-ia com uma ida à malinha da auto-medicação, seguida de um copo de água bem cheio ou com uma bebedeira de cair para o lado. Ou então - quem pretendo enganar, talvez um leitor recente ou ocasional mas decerto não quem cá vinha há uns largos meses - as duas coisas conjuntamente, cocktail de torpezas capaz de me apagar durante 24 horas. No fundo era isto que eu queria, estar nesta hora, no dia de amanhã e estar sem ter de passar por aquilo que terei de passar. Mas os tempos são outros, são de suposta maturidade e simulada confiança onde os escapes já não aparecem como sinais de decadência quotidiana mas são antes guardados para ocasiões de normal sociabilidade. Não há drogas nem álcool, nem permissão ou momentos para ficar triste só porque sim. Recuso-me ainda a roear as unhas. Não tenho como negar mais, o que origina outro conflito interno para alguém que detesta assumir culpas - se está tudo bem encaminhado pela primeira vez em tanto tempo e mesmo assim continuo a ter estas inquietações é um bocado evidente que estas não são causadas por factores externos a mim. O problema não é o amor e o trabalho, a falta de dinheiro e a poluição no centro de Lisboa, a extinção dos Pandas ou as declarações do Presidente da República. Damn it, sou eu.