Num blogue conhecido, a sua autora diz que o companheiro faz xixi sentado. Seguiram-se comentários de outras mulheres que partilham a mesma experiência, ora num tom galhofeiro ora intimista. Percebi nesse instante que não sou uma rapariga moderna: nem é tanto pelo o urinar de rabo bem assente na loiça da Roca, é mesmo por gostar muito que o meu namorado feche a porta sempre que vai à casa-de-banho.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
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Uma pessoa julga que se conhece - não nas grandes questões existenciais e muito menos nas metafísicas, não naquela cena do quem sou eu, onde estou e para onde vou e também não na eterna perturbação de que existência se verificou primeiro, se a do ovo, se a da galinha - mas nas pequenas coisas que orgulhamos em divulgar como características nossas. Depois chega a esta fase, pertíssimo da comemoração de um mais aniversário e:
- Afinal já não se gosta do Inverno, tem-se saudades do Verão;
- Não se mete para dentro uma gota de álcool desde o fim-de-ano;
- Passou-se a incluir queijo na sua dieta diária;
- Quer lá saber se os Radiohead vêm ao Optimus Alive;
- Acorda cedo ao fim-de-semana "para aproveitar bem o dia livre".
- Já não se deixa enganar pela inclusão do Henry Miller na secção erótica da Fnac e permite-se a abandonar o Trópico de Capricórnio antes do meio.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
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Às vezes penso com uma clarividência atroz que nunca vou voltar a ter um amor como aquele. A este pensamento segue-se outro, na lógica que se afigura como normal, que é um facto que também não vou ter outro desgosto daquela dimensão. Se a primeira ideia me deixa tolhida pela tristeza, a segunda deixa-me profundamente aliviada e sem saber se estas conclusões são mais agri ou doces. Uma coisa é certa (ou dessa estou eu certa pelo menos até mudar de opinião, o que pode acontecer já amanhã). Para desistir do amor é preciso acreditar nele e só por isso - pela minha inicial posição de believer- já sou bastante mais afortunada do que muita gente e sendo assim, em vez da minha habitual cena de auto-comiseração, vou para a cama ver uma porcaria qualquer.
[Não, não precisam de agradecer]
[Não, não precisam de agradecer]
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Na minha profissão tenho de lidar com muitos intrujões. Habituei-me, as desculpas esfarrapadas, as reviravoltas, os azares e as cabalas todas que um Universo inimigo levanta contra eles já dificilmente me chocam e com um pouco de sorte, ainda me divertem. Em muitos casos, na maioria talvez, é bastante notório de que lado está a razão e o outro diz aquilo que tem de dizer para minimizar os danos da situação mas existe quase uma admissibilidade tácita mútua que aquilo não corresponde à verdade. Nesses casos, dou por mim a ser quase permissiva e mantenho a cordialidade, a flexibilidade, o espírito de cooperação e diálogo que são os alicerces fundamentais da advocacia moderna. Mas reparo - reparei hoje - que o meu maior handicap profissional continua a ser lidar com quem flagrantemente me tenta passar um atestado de estupidez. Não sei dar ao outro corda suficiente para montar a sua forca, tenho de ser eu a atirar logo a matar.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Verdade aquilo que dizem sobre as aparências (ou vai-se a ver e não percebo nada de literatura)
Tenho o hábito de espreitar sempre que vejo alguém a ler ao pé de mim no metro. Hoje, um homem ligeiramente mais velho do que eu lia qualquer coisa numa edição aparentemente manhosa de bolso. Fiz o meu olhar de esguelha do costume e vislumbrei a seguinte frase "ela abraçou-me com ternura e arrebatamento e..." não me lembro do fim da frase mas era algo que eu achei altamente piroso e digno de um livrinho da colecção Arlequim. Depois ele fecha o livro enquanto se prepara para sair, umas estações mais à frente, eu vejo o título e senti-me a corar de embaraço. Era "Os cadernos do subterrâneo".
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Como uma virgem, tocada pela primeira vez
É uma óptima cena mas não é a verdade. Por detrás da superficialidade típica de um mega hit pop dos 80's - com o selo de obrigatoriedade em toda a festa em que se verifique a existência de uma máquina de karaoke - reside um substracto muito sincero e bonito. Não há sensação igual aquela que é provocada por um homem que simultaneamente nos faz sentir muito mulher e muito menina.
A blogosfera é tipo a Casa dos Segredos, só que sem a Teresa Guilherme e sexo.
Há dois comportamentos que abomino na vida: o vira-casaquismo e a prostituição de personalidade. Contudo, entendo que certas pessoas o façam por quererem ganhar privilégios no emprego ou ter um círculo de amizades mais largo; consigo compreender quem o faça uma vez perante uma razão de força maior mas também aqueles que fazem disso um modo de vida por serem inaptos em comunicar sem ser através desses meios. O que me escapa à lógica é quem o faz para ter mais visitas nos blogues e ganhar concursos que parecem as eleições para a associação de estudantes de liceu. Acredito que ter um número bem redondo no sitemeter deve ser bastante lisonjeador para o ego - não caio na esparrela da hipocrisia, um blogue é para ser lido - mas no meu snobismo prefiro isto. Não chegar a multidões mas ter a certeza que a maioria das pessoas que aqui vem parar e fica, não olha para o que escrevo como um burro para o palácio e depois deixa um comentário inspirado a dizer "LOL, agora estiveste muita bem....!".
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