terça-feira, 24 de janeiro de 2012

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Às vezes penso com uma clarividência atroz que nunca vou voltar a ter um amor como aquele. A este pensamento segue-se outro, na lógica que se afigura como normal,  que é um facto que também não vou ter outro desgosto daquela dimensão. Se a primeira ideia me deixa tolhida pela tristeza, a segunda deixa-me profundamente aliviada e sem saber se estas conclusões são mais agri ou doces. Uma coisa é certa  (ou dessa estou eu certa pelo menos até mudar de opinião, o que pode acontecer já amanhã). Para desistir do amor é preciso acreditar nele e só por isso - pela minha inicial posição de believer- já sou bastante mais afortunada do que muita gente e  sendo assim, em vez da minha habitual cena de auto-comiseração, vou para a cama ver uma porcaria qualquer.

[Não, não precisam de agradecer]

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Na minha profissão tenho de lidar com muitos intrujões. Habituei-me, as desculpas esfarrapadas, as reviravoltas, os azares e as cabalas todas que um Universo inimigo levanta contra eles já dificilmente me chocam e com um pouco de sorte, ainda me divertem. Em muitos casos, na maioria talvez, é bastante notório de que lado está a razão e o outro diz aquilo que tem de dizer para minimizar os danos da situação mas existe quase uma admissibilidade tácita mútua que aquilo não corresponde à verdade. Nesses casos, dou por mim a ser quase permissiva e mantenho a cordialidade, a flexibilidade, o espírito de cooperação e diálogo que  são os alicerces fundamentais da advocacia moderna. Mas reparo - reparei hoje - que o meu maior handicap profissional continua a ser lidar com quem flagrantemente me tenta passar um atestado de estupidez. Não sei dar ao outro corda suficiente para montar a sua forca, tenho de ser eu a atirar logo a matar.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Verdade aquilo que dizem sobre as aparências (ou vai-se a ver e não percebo nada de literatura)

Tenho o hábito de espreitar sempre que vejo alguém a ler ao pé de mim no metro. Hoje, um homem ligeiramente mais velho do que eu lia qualquer coisa numa edição aparentemente manhosa de bolso. Fiz o meu olhar de esguelha do costume e vislumbrei a seguinte frase "ela abraçou-me com ternura e arrebatamento e..." não me lembro do fim da frase mas era algo que eu achei altamente piroso e digno de um livrinho da colecção Arlequim. Depois ele fecha o livro enquanto se prepara para sair, umas estações mais à frente,  eu vejo o título e senti-me a corar de embaraço. Era "Os cadernos do subterrâneo".

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Como uma virgem, tocada pela primeira vez

É uma óptima cena mas não é a verdade. Por detrás da superficialidade típica de um mega hit pop dos 80's - com o selo de obrigatoriedade em toda a festa em que se verifique a existência de uma máquina de karaoke - reside um substracto muito sincero e bonito. Não há sensação igual aquela que é provocada por um homem que simultaneamente nos faz sentir muito mulher e muito menina.

A blogosfera é tipo a Casa dos Segredos, só que sem a Teresa Guilherme e sexo.

Há dois comportamentos que abomino na vida: o vira-casaquismo e a prostituição de personalidade. Contudo, entendo que certas pessoas o façam por quererem ganhar privilégios no emprego ou ter um círculo de amizades mais largo; consigo compreender quem o faça uma vez perante uma razão de força maior mas também aqueles que fazem disso um modo de vida por serem inaptos em comunicar sem ser através desses meios. O que me escapa à lógica é quem o faz para ter mais visitas nos blogues e ganhar concursos que parecem as eleições para a associação de estudantes de liceu. Acredito que ter um número bem redondo no sitemeter deve ser bastante lisonjeador para o ego - não caio na esparrela da hipocrisia, um blogue é para ser lido - mas no meu snobismo prefiro isto. Não chegar a multidões mas ter a certeza que a maioria das pessoas que aqui vem parar e fica, não olha para o que escrevo como um burro para o palácio e depois deixa um comentário inspirado a dizer "LOL, agora estiveste muita bem....!".

domingo, 15 de janeiro de 2012

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É curiosa a percepção da influência que os outros acham que têm no rumo da nossa vida. Se as coisas se alinham e correm bem há sempre quem faça questão de exigir algum reconhecimento por qualquer espécie de contribuição que tenha dado para isso. Por outro lado, quando as coisas se desmoronam e a trampa em que estamos atolados é pior do que areias movediças, é raro haver alguém que assuma parte desse resultado. Curiosa a visão onde a construção e o mérito são atingidos solidariamente e a destruição e a culpa são indissociáveis do próprio. Curiosa a ideia  de que devemos dizer a quem nos ajudou que o fez - porque como fez o Bem merece sentir-se bem - mas que antagonicamente defende que por ética ou por pudor em lavagem de roupa suja, devemos ficar calados em relação a quem nos fodeu. Sim, é muito condenável fazer com que os outros se sintam mal por nossa causa, mas quando o imperativo é de verdade e não de vingança, deve ser feito.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Vou ali fechar a porta



Estou-me a tornar uma daquelas bloggers que só mete videos. Mas não o fazia se não achasse que vocês ficavam a ganhar com isso.