sábado, 14 de janeiro de 2012

É desta

Descobri no Youtube uma versão do "Avé Maria" interpretada pela Romana e com um arranjo musical que nem vos conto. Agora que já se deu a fusão entre Schubert e Pimba aguardo que os quatro cavaleiros desçam dos céus e que os mortos voltem à Terra para serem julgados juntamente com os vivos.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Senhores que estão à frente de lojas - se algum me lê- aqui vai um conselho cheio de amor

Eu sei que a crise acentua o vosso intuito de vendas desgarradas e que sendo assim, todas as vossas colaboradoras são incentivadas a usar as técnicas de venda mais agressivas . Mas para mim, falo só por mim, é extremamente irritante entrar numa loja e no espaço de segundos ser abordada por três pessoas diferentes que solícitas mostram-me tamanhos, estilos, promoções, a quem só falta fazer malabarismos e oferecerem-se para me lavar os pés se eu comprar um par de cuecas. Por favor, dizerem às meninas que sem vendas não há contrato renovado é coacção moral quando todos sabemos que as razões que levam as pessoas a não comprar não é a falha no atendimento personalizado mas exclusivamente a falta de dinheiro.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

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A minha vida agora é como aqueles momentos que antecedem a preparação de uma fotografia. Tudo quietinho, estruturado, bonito. Não me arrisco a dizer perfeito porque há sempre este receio ou pânico que no momento crucial apareça um anormal que faça um par de cornos a alguém e estrague tudo.

Da reivindicação do lugar comum



Porque depois do desgosto amoroso é permitido voltar ouvir os The Smiths. Já não acho que o Morrissey canta sobre mim e posso limitar-me a achá-los tremendos. Sim, sei que é um cliché do caraças para quem diz detestar clichés e que dizer que se detesta clichés é outro cliché. Mas quem nunca «saiu sozinho e chegou a casa e chorou e teve vontade de morrer» que atire a primeira pedra.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

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Estive a trabalhar até agora e estou muito muito cansada. *olhos de gatinha-das-botas*  Amanhã tenho de ir a outro sítio magnífico - A Loja do Cidadão - e não tenho outro remédio se não ir antes do meu horário laboral. Para poder secar o cabelo em condições e tomar o pequeno-almoço com calma, não há ninguém por aí que às oito da manhã me queira ir tirar a senha e depois eu apareço por lá às nove e pouco para tratar das minhas cenas burocráticas? Ninguém?

Pffffffffffffffff. Não servem para nada vocês.

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Há pessoas que reúnem paixões como quem colecciona. Podia ter-lhes dado para às moedas raras, para postais de todo o lugarejo do mundo ou selos da antigas repúblicas  mas deu-lhes para coleccionarem paixões. Outras tratam a paixão no singular e de forma obsessivamente única. Podia ter-lhes dado para serem incondicionais ao emprego, ao Benfica, a uma seita religiosa que prevendo o fim do mundo combinasse um suícidio colectivo mas deu-lhes para serem fiéis à paixão. Os primeiros são viciados no "click" inicial , no leque infindável de opções que ainda há por descortinar com aquela novidade em forma de gente. Os segundos, por sua vez,  vêem o factor aditivo na doçura da previsibilidade e de uma história. Uns fartam-se e começam tudo de novo; outros não se fartam e não começam nada de novo. Todos ficam sozinhos e normalmente a perguntarem-se porquê.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

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Hoje de manhã tive de ir aquele sítio maravilhoso que espero que vocês não conheçam e que se dá pelo nome "Campus de Justiça". Se à primeira vista somos iludidos pelo aspecto moderno dos edíficios, pelas enormes escadarias que os separa, ladeadas de um manto florido bem tratado, depressa a quimera se desvanece. Mal falamos com o primeiro de muitos funcionários que se seguirão, sentimo-nos plenamente remetidos para uma atmosfera kafkiana. No atendimento, há de tudo: despachados e solícitos, enconados que encarquilharam nas secções do tribunais e que acham que ao atender-me estão a fazer um favor, esquecendo-se que na verdade só estão a fazer o trabalho deles. Depois daquelas primeiras horas da manhã (as mais produtivas, ainda por cima) totalmente desperdiçadas, venho para o trabalho. Enquanto caminhava em direcção ao metro vejo a parar numa paragem ali próxima um autocarro exactamente com o mesmo destino que eu - e como  gosto muito de andar mas na passadeira do ginásio- apanhei-o sem hesitação. Seguiu-se algo memorável: uma viagem de quarenta e tal minutos pelos subúrbios feios (desculpem lá o eufemismo) de Lisboa. O motorista bufava em manobras complicadas para conseguir fazer outra curva extremamente apertada. Os prédios pequenos, encavalitados a justificarem a invenção das cortinas, de fachadas pintadas de cores que há trinta anos atrás eram vivas e agora são apenas humidade e bolor e estuque à mostra. As pessoas na rua - são aquelas que fingimos não existir em Lisboa - mal-vestidas, desdentadas, velhas. Lado a lado, vejo o "Talho Rui" e o "Cabelereiro Unisexo Faty", o primeiro prometendo em cartolinas escritas a feltro o melhor preço para miudezas, o segundo cortes de cabelo adequados com a moda dos anos 80, deduzo eu pelos posters debotados pelo sol expostos nas montras. Fala-se no interior, fala-se na margem sul e a umas estações de metro o cenário de quem pode dizer que é tão lisboeta como eu e como quem costuma fazer essas observações, é outro. Quando chego ao Chiado volto à realidade de quem combina as botas com o cinto, dos cortes de cabelo no Bairro Alto e não na "Faty". É outro mundo, outra cidade.