sábado, 31 de dezembro de 2011

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Nunca percebi porque é que a maioria das pessoas lamenta, após o fim de uma relação, as vezes que disse ao outro "gosto de ti" ou "amo-te". Deviam sim lamentar não terem coragem de dizer "foste um mero erro de casting". Pior do que uma falsa verdade imerecida dita, só uma verdadeira verdade merecida calada.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Sextas à noite de arromba é só mandarem-me uma sms*

Pijaminha, laptop, dossiers cheios de trabalhinho.

* mas mandem só até à uma, é que depois vou para a cama para não faltar ao RPM de manhã.

Auto-Retrato IV (versão património imaterial da Humanidade)

Que destino, ou maldição
Manda em nós, meu coração?
Um do outro assim perdido,
Somos dois gritos calados,
Dois fados desencontrados,
Dois amantes desunidos.

Por ti sofro e vou morrendo,
Não te encontro, nem te entendo,
A mim o digo sem razão:
Coração... quando te cansas
Das nossas mortas esperanças,
Quando paras, coração?

Nesta luta, esta agonia,
Canto e choro de alegria,
Sou feliz e desgraçada.
Que sina a tua, meu peito,
Que nunca estás satisfeito,
Que dás tudo... e não tens nada.

Na gelada solidão,
Que tu me dás coração,
Não é vida nem é morte:
É lucidez, desatino,
De ler no próprio destino
sem poder mudar-lhe a sorte... 

[Cantar de corações partidos? Amália, pois claro.]

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Spot the differences

Mulheres coreanas que assistem à passagem do cortejo fúnebre de Kim Jong-Il - 2011



Primeira fila de uma actuação dos Beatles - 1964

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Nunca fui aquele estilo de mulher que aguardava ansiosamente pelos saldos. Que ronda determinada peça durante meses ao jeito de ave de rapina para finalmente, após uma espera que parece sem fim e inúmeras vezes que se sai insastifeita com o que se leva vestido (porque se pensa "ah agora aquele casaco é que ficava aqui bem") , comprá-la cinco euros mais barata. Tenho muitos defeitos mas a forretice não é um deles e acredito que mereço tudo que o dinheiro que ganhei me permite comprar - por isso, durante anos, se via uma coisa, se gostava dela e se me gostava de ver com ela, trazia-a para casa nesse mesmo dia comigo. Simple as that. Acontece que - não sei se já sabem - estamos em crise. E além da crise generalizada que me leva o dinheiro através dos mesmos meios que leva a todos, tive este ano a minha crise pessoal originada por ter voltado a estudar e pelo meu conflito existencial-profissional que me levou a fazer alguns disparates acerca dos quais não me pronuncio. O que interessa para o tema em questão é que o desafogo não era o mesmo e sim, por força das circunstâncias também eu me tornei a mulher que já tem vergonha de entrar na Aldo porque sabe que os funcionários vão lançar um sorriso trocista porque adivinham que ela vai lá ver aquelas botas mas não as vai comprar. Sim, este ano esperei pelos saldos. E esperei pelos saldos para reafirmar que não sou uma mulher de esperar pelos saldos. As coisas bonitas desaparecem. As coisas pequenas desaparecem. As coisas bonitas e pequenas que já tinhamos visto e conseguimos reecontrar estão discretamente inseridas na Nova Colecção.

Não, não vou entregar-me à bílis, ver o lado positivo da coisa é o que profetizam para a felicidade ali ao virar da esquina. Sendo assim respiro fundo, sorrio e penso: ao menos não gastei dinheiro.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Natal

Há uns anos combinámos o nosso primeiro encontro num sábado à noite. Cheguei ao Príncipe Real com quarenta e cinco minutos de atraso, com o nervoso típico da situação mais um adicional pela vergonha daquele atraso parvo e injustificado que não, não foi planeado para criar mais expectativa e fazê-lo sofrer de antecipação. Do nervoso "de vamos ver como isto corre" passámos ao nervoso "ai que isto está a correr muito bem". De todas as noites que tive na minha vida - podia quantificá-las mas não estou para isso - aquela foi a única que qualifico como perfeita, como de filme charmoso que inspira quem vê a ser romântico, a atirar-se sem coletes de balas para os braços de outra pessoa com quem se sonha ficar para sempre.  Enquanto esperávamos numa escada por lugar sentado num bar, aconteceu aquilo e ele disse-me aquilo e aí sim, nesse momento a 27 de Dezembro daquele ano, amedrontada, deslumbrada, rendida, fiz a transição da mera existência para a vida. Nasci. Neste 27 de Dezembro não muito mudou, aqui estou amedrontada, deslumbrada, rendida, apaixonada por ti.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

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Os blogues são tal e qual as drogas. Como se não fosse desgraça suficiente metermo-nos neles, é uma questão de tempo até arrastarmos os amigos.