O problema do Natal não são bem aqueles excessos cometidos num serão e num dia - os pratinhos de sobremesa repetidamente compostos com um potpourri de sabores doces acompanhados a cálices (também eles repetidamente cheios) de Porto velho. Gosto de defender uma alimentação saudável mas flexível, somos humanos e o corpo por vezes faz apelos que não podem ser negados, para mais quando além desses próprios desejos intrísecos há todo um ambiente envolvente que convida a uma descida ao inferno da subida dos índices calóricos. Pois bem, o problema do Natal comecei eu por dizer, não é então o Natal, não é o enfardamento do estilo o "mundo vai acabar" a que se assiste naqueles dias e aceitável e compreensível exactamente pela ocasião mas sim, os restos. Tudo ficaria bem se findo o dia 25 se iniciasse uma dieta regrada com alface e brocólos, salmão grelhado, sopa de vegetais com courgette a substituir a batata, maçãs e chás detox. A verdadeira tentação começa a 26, supostamente quando já se devia voltar ao normal mas abre-se o frigorífico e vemos a carcaça do perú recheado com as batatinhas assadas. Espalhadas pelas diversas prateleiras do electrodoméstico, caixas com as sobremesas ontem rainhas da mesa, determinadas, obstinadas na sua missão de irem parar à gordura abdominal e não ao caixote do lixo.
Tenho para aí metade de uma "delícia de amêndoa" que tem sido a minha desgraça e um vestido preto, curto, justo e sem costas para vestir daqui a cinco dias. Sinto-me a Meryl Streep na "Escolha de Sofia".