segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

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O problema do Natal não são bem aqueles excessos cometidos num serão e num dia - os pratinhos de sobremesa repetidamente compostos com um potpourri de sabores doces acompanhados a cálices (também eles repetidamente cheios) de Porto velho. Gosto de defender uma alimentação saudável mas flexível, somos humanos e o corpo por vezes faz apelos que não podem ser negados, para mais quando além desses próprios desejos intrísecos há todo um ambiente envolvente que convida a uma descida ao inferno da subida dos índices calóricos. Pois bem, o problema do Natal comecei eu por dizer, não é então o Natal, não é o enfardamento do estilo o "mundo vai acabar" a que se assiste naqueles dias e aceitável e compreensível exactamente pela ocasião mas sim, os restos. Tudo ficaria bem se findo o dia 25 se iniciasse uma dieta regrada com alface e brocólos, salmão grelhado, sopa de vegetais com courgette a substituir a batata, maçãs e chás detox. A verdadeira tentação começa a 26, supostamente quando já se devia voltar ao normal mas abre-se o frigorífico e vemos a carcaça do perú recheado com as batatinhas assadas. Espalhadas pelas diversas prateleiras do electrodoméstico, caixas com as sobremesas ontem rainhas da mesa, determinadas, obstinadas na sua missão de irem parar à gordura abdominal e não ao caixote do lixo.

Tenho para aí metade de uma "delícia de amêndoa" que tem sido a minha desgraça e um vestido preto, curto, justo e sem costas para vestir daqui a cinco dias. Sinto-me a Meryl Streep na "Escolha de Sofia".

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Estou triste porque estou a cair para o lado de sono e amanhã vou ter um dia para lá de cheio, duas coisas que aliadas ou não me obrigam a ir para a cama e assim renunciar ao visionamento natalício do "Love Actually" - momento que marca oficialmente o fim do Natal e início da ressaca do mesmo. Não se façam de desentendidos, sabem bem o que é aquela sensação de euforia esgotada que só deixa para trás um rasto de exaustão, estar com a barriga inchada de comida, copos, cafés e mais cafés acompanhados com mais comida e mais copos e finalmente encontrarmo-nos sozinhos com a televisão da sala, a manta polar e aquilo que queremos mesmo acreditar que vai ser a última filhós. E depois -nem acredito que vou perder isto! - é ver o Hugh Grant, fabuloso como sempre a fazer dele próprio mas aqui versão primeiro-ministro britânico a enrolar-se com a secretária na festa da escola de um puto qualquer. É o "amor a acontecer". E o Colin Firth  à procura da Lúcia Moniz num bairro típico lisboeta para lhe dizer que a ama e  todos os figurantes dessa cena - homens e mulheres, idosos e bebés- terem uma barriga e umas mamas que pendem até à cintura e bigodes tão senhores de si de grandes que até deveriam ter nome próprio.

E eu cheia de sono...

*faço beicinho e despeço-me*

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

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Gosto de pensar que a vida já me preparou para lidar com um leque variado de situações melindrosas mas de vez em quando lá sou posta à prova. Hoje, tentava manter-me séria e concentrada a falar com um cliente quando na verdade debatia-me numa feroz luta interior para evitar olhar para o nada subtil capachinho que o senhor tinha.

E agora algo a que não vos habituei - um post matinal

Hoje de manhã, enquanto punha os seis produtos na cara indispensáveis para sair de casa com um "ar natural" e "fresco", pensava que dormir com um dos meus gatos fazia a ideia de dormir acompanhada parecer extremamente desagradável. E isto porque o bicho ressona que nem um adulto e ocupa exactamente o mesmo espaço que uma pessoa - na verdade a culpa é minha que não sou capaz de o empurrar para o vazio que vai aumentando do outro lado dele e fico sempre à beira do precipício que é a beirinha da cama. Tudo isto me traz memórias menos queridas de mil e uma noites, onde em nome da partilha conjugal se sacrificava horas e horas de sonhos deliciosos. Depois caí em mim e adivinho que tenho aqui material para ficar deprimida o resto do dia. Ora, se durmo à mesma mal mais valia não ser por causa de um ser cujo maior entretenimento é estar na casa-de-banho à espera que alguém lhe abra a torneira do bidé. Já agora também tinha a parte boa da dinâmica que são os quinze minutos de conversa no escuro antes da sinfonia de roncos se iniciar; levantar-me de noite e quando volto para a cama a tiritar de frio poder abraçar-me a alguém que está quentinho, enrolar os pés nos pés dele e voltar a adormecer numa placidez quase infantil; e mais importante, ter um vozeirão masculino (ainda que balbuciante pelo sono) que me acalme quando desperta que nem um animal nocturno e acagaçada por causa do filme de terror visto ao serão, pergunto-lhe entre abanões tímidos "Que barulho é este? Não ouves este barulho?! Achas que são espíritos?".

Descodificador Relacional

Aquela lengalenga sentida do "gosto demasiado de ti para te magoar no futuro" na verdade significa "não gosto de ti o suficiente para evitar magoar-te no presente". Esqueçam que isto foi um vício criado por Hollywood, pelos galãs de andar por casa e também pelos de meia tigela porque basta pensar um pouco na lógica da coisa para detectar a falsidade daquela justificação. E isto porque quem gosta de nós e mesmo assim acaba connosco terá necessariamente de nos remeter o envelope com a culpa. Ou seja, fizemos merda séria o suficiente para destruir o único medo que existe no verdadeiro amor - que não é magoar e ser magoado, o que acaba por acontecer por mais cuidado que se tenha - mas sim, perder o outro.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

2011

Foi o ano que me trouxe duas verdades que guardarei nos anos de vida que me restam - uma que é um cliché permitido em nome de um histerismo sentimental que me ataca (gosto de pensar que ataca todos) assim que o fim do ano se aproxima; outra sei lá como classificá-la, nem sequer interessa, só tive a necessidade de avisar que a outra era um cliché para não ser acusada de uma lamechice insconsciente que acho que não vai muito bem comigo. Assim, 2011 mostrou-me que quando tentamos procurar algum consolo banhado em esperança e convencer-nos que as coisas (leia-se situação de fossa profunda que faz as trincheiras da 1ª Guerra Mundial parecerem um recreio) não podem piorar, na verdade há que estar preparado para a eventualidade de ainda existir uma margem "de mau" pronta a ser descoberta. Falo com a legitimidade de quem passou dias e dias de meses e meses a acordar e a decidir se devia passar o resto do dia enfiada na cama ou se, por outro lado, devia ser proactiva e ir atirar-se para a linha de comboio. O que me leva à segunda verdade: por pior que tudo pareça em determinado momento, sob certa perspectiva, não há nada que fique sem resolução. O que é preciso é tempo e paciência e acima de tudo, paciência para o tempo. Há coisas que são imutáveis, bem sei, como aquele amor de há um ano atrás que continua a ser o do presente; como a maioria das pessoas que estavam na minha vida e estão; os gostos e os hábitos que já não se alterarão pela idade, modas, pressão dos pares. Porém, eu sei que mudei, nem que seja por ter adquirido estas duas certezas absolutas numa altura em que parece que me fugiram todas. Uma negativa e uma positiva, agora vejo, obviamente para dar aquele cunho de bipolaridade que tudo que nasce de mim obrigatoriamente tem. Se mudasse nisso, temo que tinha também de mudar o meu nome.

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Descobri recentemente que o meu ponto forte é admitir o quanto sou fraca. Não me anda a tirar o sono contudo, já andava desconfiada.