segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O que pensar quando não recebemos nada do que gostamos no Natal?

Eu sou uma daquelas pessoas a quem é extremamente difícil escolher o que oferecer. Não tenho inteligência suficiente para gadgets modernaços, facto que é aliado a um amplo conceito de fidelidade - não sou invadida pela urgência de trocar o que me serve plenamente as minhas necessidades e me deixa feliz só porque aparece algo mais bonito no mercado. Além disso, a graciosidade inata da minha figura e da minha presença torna desnecessários os artíficios das roupas e acessórios de marca, dos perfumes caros.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Sentimento Familiar


(mas não, não vou ali atirar-me ao rio)

É muito simples...

Deixei de beber café. Curiosamente voltei a ter insónias. É claro que isto não faz sentido nenhum porque não há uma correlação entre um facto e o outro. É mesmo assim que as coisas funcionam: a paixão tem a necessidade de contrabalançar tudo aquilo que nos acrescenta à nossa existência estupidificada e para tal leva o apetite, o juízo, o ar. O sono.

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"Truth is not spoken in anger. Truth is spoken, if it ever comes to be spoken, in love. The gaze of love is not deluded. It sees what is best in the beloved even when what is best in the beloved finds it hard to emerge into the light."

J.M. Coetzee, Slow Man

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

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Ano Novo, Vida Nova. Estamos numa fase propícia ao empreendedorismo e sendo assim inspirada por isto decidi também eu realizar dois Workshops, o primeiro sobre produção vinícola, o segundo sobre comportamento canino. Para além de gostar de vinho e de cães, não tenho nada que me torne uma expert em qualquer um dos temas. Mas para que é que isso interessa se vocês quiserem pagar para ouvirem-me falar acerca dos mesmos, só porque tenho um blogue? Pois, nada.

Vamos ali comer uns Donuts?

De x em x tempo alguma blogger lá se lembra de vir com uma ode - não às gordas - mas aquilo que dizem ser o protótipo de mulher portuguesa e também o estilo de mulher que o homem português aprecia. Uma mulher roliça, de carnes fartas, boas para o aninhar nas noites de inverno e para servirem de almofada quando ele quer esticar-se no sofá com a cabeça no colo. Quem gosta de mulheres magras são o rabichas ou os pedófilos que fazem obrigatoriamente amor com a luz apagada para fazerem de conta que estão com o objecto da sua fantasia na cama. Em primeiro lugar esquecem-se estas bloggers "feministas" que há gostos para tudo, há quem gosta de mamas grandes, há quem goste delas pequenas; há quem goste de rabos saídos, outros gostam deles achatados; há quem goste de loiras e há quem só ligue a morenas. Calculo que até deve haver quem goste de mulheres com bigodes e  se calhar neste caso teriam mais legitimidade para chamar o fetichista de homossexual mas aí seria só alguém estranho . Seguindo esta linha de pensamento,  há quem goste de mulheres mais cheias e há quem goste de mulheres mais magras. É algo tão simples como isto - uma preferência como outra qualquer que não tem necessariamente a ver com ideais nazis da estética do século XXI. Longe de mim armar-me em defensora daquela magreza anoréctica, tal como longe de mim armar-me em defensora da obesidade mórbida. Apenas parece-me absurdo uma mulher sentir-se motivada para escrever um texto a atacar mulheres que considera que estão magras de mais porque sente-se ofendida por haver quem ache que ela tenha uns quilos a perder. Faz sentido: dizer que se está gorda é feio, dizer que se está magra já não. Paradoxalmente, com essa tomada de posição legitimam o que pretendem atacar, colocam a magra num patamar privilegiado. É como se tacitamente admitissem que aquela mulher, por ser magra ou mais para o magra, não devesse ter problemas de auto-estima o que permite esta crítica despudorada. Coisa que nunca aconteceria com uma mulher mais gorda; se fosse mais para o gorda pensava-se e calculava-se o peso das palavras no ego alheio. E o que me irrita para lá do razoável nem é esta recusa completa em ver que o comportamento de crítica é igualmente mau para os dois lados mas sim a negação que roça o ridículo de quem vem defender a beleza de uns  pneuzinhos a saltar das calças. É que apostava cinco anos da minha preciosa vida em como quem escreve e subscreve aquilo adoraria ser pelo menos três quilos mais magra.

Ah maravilha, acho que nunca vos disse que adoro o Natal

Pela primeira vez, desde que me lembro, este ano o Natal vai ser só passado com os meus pais, irmão, cunhada e gatos. Depois de um ano cheio de atritos familiares em várias facções a minha mãe decidiu, num rasgo de exaustão, "que não está para aturar hipocrisias" e que se está a borrifar para os outros vários graus de parentesco com quem nos costumamos reunir. A verdade é que tenho uma família conflituosa, facto explicável por serem na maioria benfiquistas ferrenhos e é inevitável sempre alguns desentendimentos mais ou menos descarados consoante estalem na mesa da sala de jantar ou se vá cochichar para a cozinha com o pretexto de levar os pratos. Dos momentos que ficaram para a posterioridade tenho a apontar quando o meu primo gay- mais- do- que- flagrante- aos- cinco -de- anos- de- idade se trancou na casa de banho porque a gata tinha roído durante a noite a mão da Barbie Fantasia recebida na Véspera; quando tentei explicar ao meu primo motard porque é que tinha sido condenado por ter aberto a cabeça um tipo  não sendo aplicável a legítima defesa e ele chamou-me  "chica-esperta" e a minha mãe, a defender a cria, respondeu-lhe "que ele nem tinha categoria para falar do tempo comigo quanto mais de Direito"; quando o meu outro primo pré-adolescente disse ao meu avô (careca) que devia provar da gelatina porque fortalecia o cabelo; ou a mais recente, passada no ano passado, quando a minha tia maldosa (todos nós temos uma, aquela que diz coisas do género "estás mais cheinha" ou "então, ainda não foi este ano que te casaste?") virou-se para mim, que tinha acabado a única relação séria que tive na vida com a única pessoa que gostei na vida há três semanas e diz-me "ah isso passa-te com uma terapia Reiki" (informação adicional: a filha dela estava a tirar um curso de Reiki...). E aí para não mandá-la para um sítio muito bonito, agarrei nas minhas coisas e vim para casa onde passei o dia de Natal sozinha a dormir.

Oh, a nostalgia. Ainda dizem que esta época só é mágica para as crianças.