Ano Novo, Vida Nova. Estamos numa fase propícia ao empreendedorismo e sendo assim inspirada por isto decidi também eu realizar dois Workshops, o primeiro sobre produção vinícola, o segundo sobre comportamento canino. Para além de gostar de vinho e de cães, não tenho nada que me torne uma expert em qualquer um dos temas. Mas para que é que isso interessa se vocês quiserem pagar para ouvirem-me falar acerca dos mesmos, só porque tenho um blogue? Pois, nada.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Vamos ali comer uns Donuts?
De x em x tempo alguma blogger lá se lembra de vir com uma ode - não às gordas - mas aquilo que dizem ser o protótipo de mulher portuguesa e também o estilo de mulher que o homem português aprecia. Uma mulher roliça, de carnes fartas, boas para o aninhar nas noites de inverno e para servirem de almofada quando ele quer esticar-se no sofá com a cabeça no colo. Quem gosta de mulheres magras são o rabichas ou os pedófilos que fazem obrigatoriamente amor com a luz apagada para fazerem de conta que estão com o objecto da sua fantasia na cama. Em primeiro lugar esquecem-se estas bloggers "feministas" que há gostos para tudo, há quem gosta de mamas grandes, há quem goste delas pequenas; há quem goste de rabos saídos, outros gostam deles achatados; há quem goste de loiras e há quem só ligue a morenas. Calculo que até deve haver quem goste de mulheres com bigodes e se calhar neste caso teriam mais legitimidade para chamar o fetichista de homossexual mas aí seria só alguém estranho . Seguindo esta linha de pensamento, há quem goste de mulheres mais cheias e há quem goste de mulheres mais magras. É algo tão simples como isto - uma preferência como outra qualquer que não tem necessariamente a ver com ideais nazis da estética do século XXI. Longe de mim armar-me em defensora daquela magreza anoréctica, tal como longe de mim armar-me em defensora da obesidade mórbida. Apenas parece-me absurdo uma mulher sentir-se motivada para escrever um texto a atacar mulheres que considera que estão magras de mais porque sente-se ofendida por haver quem ache que ela tenha uns quilos a perder. Faz sentido: dizer que se está gorda é feio, dizer que se está magra já não. Paradoxalmente, com essa tomada de posição legitimam o que pretendem atacar, colocam a magra num patamar privilegiado. É como se tacitamente admitissem que aquela mulher, por ser magra ou mais para o magra, não devesse ter problemas de auto-estima o que permite esta crítica despudorada. Coisa que nunca aconteceria com uma mulher mais gorda; se fosse mais para o gorda pensava-se e calculava-se o peso das palavras no ego alheio. E o que me irrita para lá do razoável nem é esta recusa completa em ver que o comportamento de crítica é igualmente mau para os dois lados mas sim a negação que roça o ridículo de quem vem defender a beleza de uns pneuzinhos a saltar das calças. É que apostava cinco anos da minha preciosa vida em como quem escreve e subscreve aquilo adoraria ser pelo menos três quilos mais magra.
Ah maravilha, acho que nunca vos disse que adoro o Natal
Pela primeira vez, desde que me lembro, este ano o Natal vai ser só passado com os meus pais, irmão, cunhada e gatos. Depois de um ano cheio de atritos familiares em várias facções a minha mãe decidiu, num rasgo de exaustão, "que não está para aturar hipocrisias" e que se está a borrifar para os outros vários graus de parentesco com quem nos costumamos reunir. A verdade é que tenho uma família conflituosa, facto explicável por serem na maioria benfiquistas ferrenhos e é inevitável sempre alguns desentendimentos mais ou menos descarados consoante estalem na mesa da sala de jantar ou se vá cochichar para a cozinha com o pretexto de levar os pratos. Dos momentos que ficaram para a posterioridade tenho a apontar quando o meu primo gay- mais- do- que- flagrante- aos- cinco -de- anos- de- idade se trancou na casa de banho porque a gata tinha roído durante a noite a mão da Barbie Fantasia recebida na Véspera; quando tentei explicar ao meu primo motard porque é que tinha sido condenado por ter aberto a cabeça um tipo não sendo aplicável a legítima defesa e ele chamou-me "chica-esperta" e a minha mãe, a defender a cria, respondeu-lhe "que ele nem tinha categoria para falar do tempo comigo quanto mais de Direito"; quando o meu outro primo pré-adolescente disse ao meu avô (careca) que devia provar da gelatina porque fortalecia o cabelo; ou a mais recente, passada no ano passado, quando a minha tia maldosa (todos nós temos uma, aquela que diz coisas do género "estás mais cheinha" ou "então, ainda não foi este ano que te casaste?") virou-se para mim, que tinha acabado a única relação séria que tive na vida com a única pessoa que gostei na vida há três semanas e diz-me "ah isso passa-te com uma terapia Reiki" (informação adicional: a filha dela estava a tirar um curso de Reiki...). E aí para não mandá-la para um sítio muito bonito, agarrei nas minhas coisas e vim para casa onde passei o dia de Natal sozinha a dormir.
Oh, a nostalgia. Ainda dizem que esta época só é mágica para as crianças.
...
Enquanto estava à espera do ínicio de uma aula no ginásio, entreguei-me ao chit-chat com uma rapariga que conheço de lá. Falávamos exactamente das nossas experiências na várias modalidades e com os vários professores quando ela me disse "ah eu gosto é quando o "Y" nos alongamentos mete a Adéle...Gosto tanto dela". Ao que eu, sem pensar duas vezes para me obrigar a ser educada, respondi "Olha eu não, acho que ela é um exemplo perfeito de indústria cultural, só clichés colados a cuspo para agradar ao máximo de gente possível". Ainda estive para desenvolver um pouco a ideia mas entretanto ela já me olhava daquele modo "deves achar que és muita boa, tu." e subitamente o silêncio pareceu-me uma escolha acertada. Beberiquei um pouco da minha água e pus-me a olhar para o ar, como quem não quisesse coisa.
Mas acho que percebi finalmente porque não faço amigas. E eu que estava a tentar convencer-me que era por ser muito gira que as outras mulheres não gostavam de mim...
Kryptonite
Há dois filmes - considerados verdadeiros clássicos - que eu nunca vi e dizia sempre que me recusaria a ver por falta do interesse minimo exigido. A revelação dos mesmos chocava especialmente os meus interlocutores do sexo masculino, que ficavam com a boca de lado como se tivessem padecido de uma ligeira trombose por terem tido contacto com uma pessoa que não viu o "Star Wars" e o "Alien". Percebia instantaneamente uma mudança de postura e percebia também que nunca mais levariam os meus gostos a sério mesmo que ficasse horas a falar do Kubrick, Hitchcock, Welles, Godard, Lynch, Bergman, Eisenstein ou Fellini. Contudo, ontem conseguiram destruir metade do dogma com a seguinte sugestão atirada subtilmente via sms « No Alien há um gatinho muito querido». E caso eu ainda não estivesse suficientemente cativada deram-me a estocada final «O Alien mata toda a gente mas não mata o gatinho. Ele não gosta de pessoas, só de animais. Faz-me lembrar alguém.»
Escuso de dizer o que já tenho aqui para ver.
...
A má-educação tem sobre mim um efeito contagioso. Nem sempre foi assim, há uns bons anos atrás eu era o típico bicho do mato que aturava tudo e mais alguma coisa em nome do saber estar. A verdade é que chegou a uma altura em que as frustrações acumuladas com mil coisas que não podia controlar extravasaram-se para o contacto com aquelas pessoas com que nos cruzamos e que por uma razão ou outra nos irritam. É a velha que tenta passar à frente na fila do supermercado, só porque tem duas coisinhas para pagar e eu tenho um cesto e sendo assim acha que é desnecessário ao menos perguntar se me importava - porque sei lá, podia ter que ir tirar o meu pai da forca, por exemplo. São aqueles homens que passam e dizem coisas indecorosas, que "faziam isto e aquilo" e que todas as noites devem reflectir porque é aquela dica não resultou com nenhuma mulher a quem não tenham também oferecido dinheiro. É a colega irritante que tem sempre de ter uma opinião e que essa opinião tem de ser sempre a certa, nem que para isso tenha que inventar uma história que contrarie todas a leis da física. Para não ficar com problemas de consciência penso sempre que estas descidas do salto alto não são reais expressões de falta de educação mas a concretização de um ideal de justiça retributiva. Mas a realidade, aqui me confesso porque adivinho a vossa capacidade para guardar segredos, é que fico com remorsos. Fico a pensar que devia respirar fundo e esforçar-me para atingir um estatuto de ser humano elevado, porque bem sei que aqueles montes de conflito andantes são uma corja a precisar de uma válvula de escape porque também não conseguem lidar com as suas próprias contrariedades. Sendo assim, custa-me mesmo entender as pessoas a quem falta a educação de forma gratuita, a quem é possível detectar até alguma maldade consciente na forma como interagem com os outros. Hoje tive um exemplo disso mesmo - numa Zara de uma grande superfície comercial. Estavam duas caixas abertas sendo que a fila era única e estava formada em frente de uma delas. Aparece uma mulher, daquele estilo "tia falsa", com a cara besuntada de base numa tentativa falhada de tentar ficar finalmente com uma dívida perante a beleza e vai directa para a caixa que não tem ninguém. A funcionária explica-lhe o óbvio - que todos nós que estamos ali em carreirinha não somos otários, que a fila é única. A cliente grita irrealidades que puseram a miúda da caixa completamente encarnada enquanto contrariada mete-se atrás de mim, que era a última pessoa. Por destino, quando chegou a vez dela, acabou mesmo para ir para a caixa a que se tinha dirigido primeiro e quando lá chegou diz com um ar triunfante "Vê, não me queria atender mas não teve sorte. É assim a vida...justa. Tem de levar comigo. É tudo para devolver!" e atirou com o saco para cima do balcão, num safanão desdenhoso que fez as peças saltarem todas lá de dentro para cima da rapariga e para o chão. Não, a vida não é justa, pensei. Seria se ela ao sair dali partisse o pescoço ao pôr mal o pé numa escada rolante e poupasse o mundo de futuros acessos histérico-estúpidos.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
A cantarolar
«Eu sei meu amor que nem chegaste a partir, pois tudo em meu redor diz que estás sempre comigo.»
[pela única pessoa na blogosfera por cuja qualidade punha as mãozinhas no fogo.]
[pela única pessoa na blogosfera por cuja qualidade punha as mãozinhas no fogo.]
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