sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Dizem que têm mensagens inspiradoras nos pacotinhos, como o açúcar da Nicola

Cá para mim devem vir todos com defeito de fábrica. Sim, porque homem que é homem para usar preservativos da marca Benfica também é senhor para ir inscrever o rebento como sócio logo no dia do seu nascimento. Fica a contribuição para a taxa da natalidade e para a continuação dessa tradição fabulosa que é tirar fotografias com a  camisola vestida, a exibir bem a dentadura com falhas, em frente de uma fonte qualquer do Colombo nos dias de jogo. Enchanté.
O ódio é sempre o melhor paliativo enquanto nos mentalizamos que tudo tem um fim. Quando percebemos finalmente que até a mais incontrolável dor tem um fim, o ódio deixa de ser automaticamente bombeado; é assim que funciona e não o inverso como é correcto fazer de conta que acontece para que que se acredite que somos boas pessoas. O ódio é overrated numa sociedade cheia de politicamente correctos, de educação e sensibilidades, como se ao fim e ao cabo fossemos capazes de controlar tudo o que sentimos. O ódio como reverso da medalha da paixão é o escape da loucura da perda - é o que em vez de nos lançar para a frente do comboio porque aquela pessoa desapareceu da nossa vida para seguir com a dela - nos faz criar uma barreira de antipatia e repulsa que nos tolda a razão e nos faz acreditar que ela não faz falta. O ódio, além de analgésico emocional para quem o sente é para quem o recebe, se for esperto para intuir como a natureza humana idealmente funcionaria, uma dádiva. O mais profundo ódio é o sinal da mais profunda paixão que se perdeu, a certeza que a tentativa de qualquer outra estrutura relacional entre ambos seria uma anedota e que sendo assim só resta deixar ir e ir. E nesses momentos é impossível não odiar tudo porque há um dia para ser vivido.

Termo Resolutivo Certo

“Human relationships didn't work anyhow. Only the first two weeks had any zing, then the participants lost their interest. Masks dropped away and real people began to appear: cranks, imbeciles, the demented, the vengeful, sadists, killers. Modern society had created its own kind and they feasted on each other. It was a duel to the death--in a cesspool.”

Charles Bukowski, Women

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Pós-Traumático

A minha relação com o meu coração relembra-me aquelas vítimas de um qualquer sinistro que lhes levou uma perna ou um braço e que passados não sei quantos anos ainda se queixam de dores, moinhas, formigueiros esquisitos e incomodativos no membro que já não têm.

Garganta

Hoje só serve para subirem barbaridades; não para descerem sapos.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011


O eterno desafio de quem tem gatos não é obviamente ter uma casa apresentável, porque sabemos que já houve uma transferência da posse desta: a mantinha do sofá que servia para nos aquecer nos serões frios, está agora em cima do cadeirão onde a Gata Ariel se deita e que por causa disso ninguém mais utiliza (leia-se a manta e o cadeirão); o Gato Gaspar senta-se no meu lugar à mesa e quando o tento mandar para o chão, ele finca as patas na cadeira como quem diz "estava aqui primeirooooo, esse peito de frango devia ser meeeeuuuuu"; raras não são as noites em que me quero ir deitar e deparo-me com o Gato Tobias encostado às minhas almofadas, como o maior dos princípes no seu reposteiro à espera de ser servido; a Gata Cher, essa, descobri recentemente que é a que me abre as gavetas e rouba-me os elásticos do cabelo para escondê-los debaixo do sofá. Não, esta casa já não me pertence, pago a estadia com os sacões de ração e latas de paté, cestos almofadados com cobertas lavadas espalhadas em lugares estratégicos nos quais eles se aninham mirando-nos com os olhos deliciados semi-cerrados de altivez. O eterno desafio de quem tem gatos não é obviamente ter uma casa que pareça não ser habitada por animais; o eterno desafio é vestir uma roupa preta e sair para a rua sem parecer um panda, tal a quantidade de pélos clarinhos que se leva anexados e que vão provocando alergia às pessoas mais vulneráveis com quem nos vamos cruzando.

domingo, 13 de novembro de 2011

Só para que não me digam que as mulheres são dificeis de compreender...

...eu ajudo e dou desde já a minha permissão para que imprimam este post com a finalidade de usá-lo como cábula no futuro. Podem guardá-lo, bem dobradinho, na carteira. A potencialidade e os traços mais importantes de uma mulher podem ser facilmente identificáveis nas unhas. Assim:

Exemplo 1:




 Raparigas que têm unhas:

a) cortadas rentes;
b) roídas;
c) cada uma do seu tamanho;
d) sem verniz ou verniz transparente.

São:

a) lésbicas;
b) frustradas;
c) intelectualóides "é muito degradante uma mulher preocupar-se com algo tão fátuo como a beleza";
d) cumulação bombástica de todas as hipóteses anteriores.

Exemplo 2:




Raparigas com unhas:

a) excessivamente compridas;
b) com gel ou gelinho manhoso;
c) demasiado coloridas;
d)com aplicação de brilhantes e/ou desenhos com motivos florais e ou/animalescos.

São:

a) burras;
b) putas;
c) pouco asseadas sendo que precisam das unhas com um tamanho considerável para aliviar as comichões que os hábitos deficitários de higiene provocam, em zonas corporais indevidas;
d) cumulação bombástica de todas as anteriores.

Conclusão: se não querem ser apanhados desprevenidos nem verem expectativas defraudadas, antes de olharem para as mamas e para o rabo observem as mãos.