quinta-feira, 17 de novembro de 2011

quarta-feira, 16 de novembro de 2011


O eterno desafio de quem tem gatos não é obviamente ter uma casa apresentável, porque sabemos que já houve uma transferência da posse desta: a mantinha do sofá que servia para nos aquecer nos serões frios, está agora em cima do cadeirão onde a Gata Ariel se deita e que por causa disso ninguém mais utiliza (leia-se a manta e o cadeirão); o Gato Gaspar senta-se no meu lugar à mesa e quando o tento mandar para o chão, ele finca as patas na cadeira como quem diz "estava aqui primeirooooo, esse peito de frango devia ser meeeeuuuuu"; raras não são as noites em que me quero ir deitar e deparo-me com o Gato Tobias encostado às minhas almofadas, como o maior dos princípes no seu reposteiro à espera de ser servido; a Gata Cher, essa, descobri recentemente que é a que me abre as gavetas e rouba-me os elásticos do cabelo para escondê-los debaixo do sofá. Não, esta casa já não me pertence, pago a estadia com os sacões de ração e latas de paté, cestos almofadados com cobertas lavadas espalhadas em lugares estratégicos nos quais eles se aninham mirando-nos com os olhos deliciados semi-cerrados de altivez. O eterno desafio de quem tem gatos não é obviamente ter uma casa que pareça não ser habitada por animais; o eterno desafio é vestir uma roupa preta e sair para a rua sem parecer um panda, tal a quantidade de pélos clarinhos que se leva anexados e que vão provocando alergia às pessoas mais vulneráveis com quem nos vamos cruzando.

domingo, 13 de novembro de 2011

Só para que não me digam que as mulheres são dificeis de compreender...

...eu ajudo e dou desde já a minha permissão para que imprimam este post com a finalidade de usá-lo como cábula no futuro. Podem guardá-lo, bem dobradinho, na carteira. A potencialidade e os traços mais importantes de uma mulher podem ser facilmente identificáveis nas unhas. Assim:

Exemplo 1:




 Raparigas que têm unhas:

a) cortadas rentes;
b) roídas;
c) cada uma do seu tamanho;
d) sem verniz ou verniz transparente.

São:

a) lésbicas;
b) frustradas;
c) intelectualóides "é muito degradante uma mulher preocupar-se com algo tão fátuo como a beleza";
d) cumulação bombástica de todas as hipóteses anteriores.

Exemplo 2:




Raparigas com unhas:

a) excessivamente compridas;
b) com gel ou gelinho manhoso;
c) demasiado coloridas;
d)com aplicação de brilhantes e/ou desenhos com motivos florais e ou/animalescos.

São:

a) burras;
b) putas;
c) pouco asseadas sendo que precisam das unhas com um tamanho considerável para aliviar as comichões que os hábitos deficitários de higiene provocam, em zonas corporais indevidas;
d) cumulação bombástica de todas as anteriores.

Conclusão: se não querem ser apanhados desprevenidos nem verem expectativas defraudadas, antes de olharem para as mamas e para o rabo observem as mãos.
O meu medo - aquilo que hoje me tira o sono - não é acabar uma relação e recear que nos fiquemos a odiar mutuamente. O que me petrifica é a separação e continuarmo-nos a amar numa reciprocidade. Assusta-me a ideia de um mundo onde o amor não é causa mais do que suficiente, mesmo imperativa, para duas pessoas ficarem juntas para sempre.
Parte do feminismo de hoje em dia é um  conceito destruído pelas teorias do que deve ser uma mulher moderna e emancipada. Não pertence já a mulheres especialmente instruídas e com uma sensibilidade acima do comum mas àquelas que há uns bons anos atrás não iriam mais longe da venda de tupperwares em casa das amigas. Este tipo de "feministas" (é incorrecto a utilização do termo mas vocês percebem-me) são defensoras de uma sexualidade desinibida e desenfreada, seguem aquele mote que se deve dar tudo aquilo que o homem quer sem rodeios e pudores característicos do tempo das nossas avózinhas, porque sabe-se bem que o que o homem não tem em casa procura mais cedo ou mais tarde na rua. Curiosamente, são estas mesmas mulheres que acham que existe quase uma obrigação de satisfazer totalmente os prazeres da carne ao seu homem que não entendem e são críticas quando se deparam com outras que fazem questão de satisfazer o homem delas além disso. São aquelas que se na primeira área acham que deve fazer-se tudo e mais alguma coisa, concretizar-se todas as fantasias e quando isso acontece soltam um "ah grande maluca, grande porca que tu és"; são as mesmas que ficam pasmas com o quão retrógada se é se o agrado for algo tão banal como não mudar o  corte de cabelo  porque ele diz que gosta de vê-lo comprido. Nestes casos já desenham uma personalidade apagada e submissa nas mãos de um tirano, um futuro inevitável a percorrer os corredores da APAV com os óculos escuros postos para disfarçar as lágrimas e a marca da bofetada. Dádiva amorosa não é sinónimo de anulação e só pensa assim quem tem medo de se anular por intuir que não tem nada para oferecer.
Devo ser a única mulher no mundo que quando ele diz "estás muito bonita hoje" arreganho os dentes e digo:

"Hoje? Hoje? O que queres dizer com "hoje"? E nos outros dias? Quer dizer nem sequer sou bonita, estou bonita, é isso? Hoje até estou mal vestida, sabes há quantos anos tenho esta blusa?" (as letras grandes é para vocês perceberem mesmo que falo ainda mais alto do que o habitual).

sábado, 12 de novembro de 2011

Odeio tomar decisões. Quando vou a um café e olho para a vitrine fico uns cinco minutos a olhar para o pastel de natal e para o jesuíta e quando finalmente escolho o pastel de nata, ainda estou a dar a primeira dentada e já estou arrependida a olhar para o outro que agora parece-me mais apetecível do que nunca, polvilhado de puro e fino açúcar. O pastel sabe-me então a velho, começo logo a desconfiar que se calhar nem é do dia e que caraças, penso, "fui logo enfiar sei lá quantas calorias para o bucho e nem me soube bem". Outras vezes penso que trajecto devo adoptar para ir do ponto "x" ao ponto "y". Escolho o autocarro por algo tão básico como ser directo e não ter de mudar de linha de metro mas depois quando fico presa no trânsito nas Amoreiras por causa dos paizinhos que vão buscar os meninos ao Liceu Francês, permito-me a um interior chorrilho de palavrões. Depois há aquelas circunstâncias em que não sei o que vestir; meto uns saltos e passadas umas horas tenho os pés em carne viva ou enfio um vestido e esqueço-me que depois de jantar começo a ficar inchada, tendo consecutivamente de andar de casaco apertado para que dali a uns anos, as pessoas não julguem que estava grávida nas fotografias. Exemplos banais para imaginarem agora como deve ser para mim tomar uma decisão daquelas sérias - se forem espertos, decerto perceberão que a dificuldade é tão grande que na maioria das vezes pura e simplesmente não as tomo e fico à espera que o futuro (sinónimo para "alguém") resolva tudo por mim. Tem resultado muito bem até agora, como também decerto perceberão. Hoje tomei uma decisão dessas, a contragosto, encurralada. O sentimento de azia é inexplicável e é posterior à decisão que diga-se, não foi muito pensada tal como optar pelo pastel de nata em vez do jesuíta; foi o que me pareceu certo na altura. O pior vem sempre depois, nos segundos automaticamente seguintes e por isso acho que devo reformular a minha primeira frase deste texto: não odeio tomar decisões, odeio viver com as consequências destas. Como qualquer bom ser imaturo digno desse honroso título.