quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Não entendo

Mas então ninguém fala no concerto da Britney?

[gente elitista esta que só gosta de U2, Pearl Jam e Coldplay...]

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A Ficção Portuguesa é mesmo Ficção

«Então o Hipólito comprou o sémen do Basílio?»
Ouvido numa telenovela da TVI cujo nome desconheço, há momentos.

[Quem se chama Hipólito? Ou Basílio? Admitindo que existem pessoas com estes nomes, quais as probabilidades de se cruzarem? Quais a probabilidades de se cruzarem para celebrar um negócio jurídico com tal objecto?]
Ao princípio da noite cheguei a casa mesmo a tempo de ouvir uma conversa entre a minha mãe e uma vizinha, no meu átrio de entrada. A vizinha falava do seu filho, um miúdo enfezado e meio amarelo, com um nome infeliz. Queixava-se que estava numa fase terrível de esquisitices com a alimentação e que ela já tinha desistido de tentar diversificar a mesma além dos nuggets e douradinhos com arroz de manteiga, únicos pitéus que a criança come sem conflitos. Para justificar a sua desistência perante as observações de espanto da minha própria progenitora, acrescenta que ele é muito vulnerável e agonia-se com facilidade - e para exemplificar conta que mais do que uma vez, ao levá-lo de manhã ao infantário ainda com a papa do pequeno-almoço caída de fresco no estômago, ele começa com vómitos ao ver cocó de cão na rua. Oiço aquilo tudo meio perplexa, na incapacidade de conciliar aquelas histórias com a visão - não isolada - que já tive do mesmo miúdo a tirar e a comer macacos do nariz. Crianças, mais enigmáticas do que a Esfinge.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Redefinindo Conceitos II - Lovecat





Jeito

Fazer-me chorar de alegria em contra-ataque ao meu choro de tristeza.
Há pouco cheguei a casa e tinha o conteúdo de três gavetas espalhado pelo chão do meu quarto. Os felinos desaparecidos em lugar incerto, perdidos na escuridão, provavelmente a ver-me de cima de um móvel ou por detrás dos cortinados. Movida por um desejo requintado de vingança fui à cozinha e abanei a caixa de biscoitos Whiskas Temptations, chamariz normalmente mais do eficaz para os pequenos lambões de quatro patas que por aqui se passeiam. Só o Gato Gaspar, o mais idiota ou com menos problemas de consciência, revelou metade do focinho na ombreira da porta mas lá deve ter sentido algum agoiro ou vislumbrou chispas maliciosas na minha postura que depressa desapareceu. Fica para amanhã - se alguém souber o nome de um restaurante étnico (Hein, perceberam? Disse étnico e não chinês.) especialmente afectado pela crise e necessitado em cortar a despesa na conta do talho, por favor sintam-se livres de me contactarem.

 [ antecipo que estão alimentados à base de Royal Canin para Gato Persa e Royal Canin para Gatos esterilizados, a primeira de frango e coelho, a segunda de salmão e arroz; latinhas Gourmet Peixe do Oceano e Galinha à Provençal; Biscoitos Whiskas; e petiscos variados de confecção caseira que vai desde o peixe cozido ao peito de frango ao vapor. Melhor só galinha biológica mas essa custa 26.50€ ali no Supermercado Brio no Largo do Carmo.]

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Recebo uma mensagem do meu operador móvel a comunicar-me que o período experimental do serviço Calling Ring, aquelas coisas muita giras que aparece quando ligamos para alguém e ouvimos uma voz com sotaque alentejano feito a dizer que agora é que vão atender o telefone mas afinal não, tinha acabado mas que tinha também sido renovado automaticamente por uma módica quantia a ser descontada semanalmente no meu saldo. Obrigada, por decidirem por mim o que devo fazer ao meu dinheiro e incluirem-me unilateralmente em negócios nos quais não estou interessada. Obrigada também por enviarem a mensagem com tão boas notícias às nove da manhã de um Domingo em que não planeava acordar antes do meio-dia. Toca a ligar para o apoio a clientes, com veneno a escorrer pelos caninos e pupilas dilatadas de ódio. O jovem que me atende tenta pôr entraves ao meu desejo de não ter aquilo activado: primeiro teria de ligar para outro número, eu recuso-me porque já estou a pagar a chamada que deixou de ser gratuita no momento em que escolhi falar com um assistente que fosse humano e queria aquilo já resolvido. Pergunta-me então porque é que queria desistir daquela merdice, se era o preço associado que me desagradava ou o quê em concreto e eu consciente que ele, coitado, só cumpria um protocolo criado por uns macacos superiores e não tinha culpa nenhuma destes esquemas maldosos para sacar os mais míseros cêntimos à ralé, não resisti mesmo assim a dizer "o que me desagrada é que quem me liga fica a achar que sou atrasada mental". Após um silêncio de segundos, tive a resposta "o serviço será desactivado nas próximas 24 horas, vai receber uma sms com a confirmação. Posso ser-lhe útil em mais alguma questão?".