quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Gosto quando as pessoas fazem aquelas actualizações no Facebook a dizer onde estão naquele preciso momento e  em que companhia. Tenho sempre a violenta tentação de comentar a dizer "e isso interessa-me para quê?".

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Estava para aqui a pensar

E não sei porquê é que a maioria dos homens ainda acha que o derradeiro elogio que pode fazer a uma mulher é dizer-lhe que ela é bonita.

[Dica: isso só pega com aquelas que não são ou então que não têm mais nada].

Non-sense

Estou um caos. Não faço a menor ideia do que ando a fazer mas também não me sinto com grande alternativa face a outras ocasiões em que achava que sabia tudo muito bem e que afinal foi-se a ver que não. Deixemos andar, certo. O mundo exterior é o reflexo do interior: o meu quarto parece uma cela de manicómio, entre o trabalho que finalmente arrancou para a porra da tese e o ritmo parvo que voltei a ganhar na leitura, tenho a secretária e o chão cheio de dossiers de doutrina/jurisprudência e romances clássicos. Um dos meus gatos, na minha ausência, entrou aqui abriu a minha gaveta de roupa interior e tirou tudo cá para fora, provavelmente para se deitar lá dentro, e ainda não tive coragem para arrumar aquilo. Durmo pouco de novo, num estado ambíguo que reflecte aquela simbiose confusa de excitação e medo do desconhecido; lembro-me que devemos ter sempre cuidado com o que desejamos e Meu Deus, como eu desejei isto. Prometi  a mim mesma que não deveria escrever mais nada de pessoal aqui e venho aqui fazê-lo porque as alternativas seriam:

- videos caseiros de animais e crianças em situações comprometedoras mas mesmo assim divertidas;
- fotografias de gatinhos;
- análises pseudo da actualidade;
- piadas pseudo da actualidade;
- trechos introspectivos do José Luís Peixoto;
- receitas culinárias retiradas dos destacáveis da revista Telenovelas e do panfletos do Pingo Doce.

Não sou uma pessoa criativa e sinto-me mal a gozar com os outros. Só sobro mesmo eu como objecto bruto de extenuante auto-riso.

Aviso

Não se metam no ensino pós-graduado de Universidades privadas de elevado prestígio. Acabei de perceber que tinha deixado passar a data limite de pagamento das minhas propinas - por dois dias vou pagar uma multa de 70 euros.

*preparar corda para o enforcamento*

terça-feira, 11 de outubro de 2011

“She had an overwhelming desire to tell him, like the most banal of women. Don't let me go, hold me tight, make me your plaything, your slave, be strong! But they were words she could not say.

The only thing she said when he released her from his embrace was, "You don't know how happy I am to be with you." That was the most her reserved nature allowed her to express.”
Kundera, The unbearable lightness of being
Nas alturas de grande desespero pensava (será precipitado usar este tempo verbal já?) que o que tem de ser nosso às nossas mãos virá parar. Agora que sei que isso devia ser tornado uma lei universal em relação aos homens, aguardo ansiosamente pelo Euromilhões.
Há uns dias para cá andava a ver se acabava o "Mulheres" do Charles Bukowski mas admito que a minha concentração tem sido escassa para grandes leituras. Tencionava hoje arrasar as quarenta páginas que me faltavam e de seguida ir bem disposta para a cama, com aquela sensação de dever bem cumprido. Neste livro, logo no início, uma namorada ensina à personagem principal a...como dizer isto sem parecer brejeira, sem corar e ferir susceptibilidades? A coiso e tal oralmente porque aparentemente ele não percebia lá muito daquilo. O resto da história descreve os envolvimentos esporádicos com muitas outras mulheres e sempre que há a consumação da paixão, não falha o cunnilingus. Ora eu não sou púdica, nem impressionável, nem daquelas miúdas que quando se fala de sexo dizem "aiii que nojooooo" mas hoje jantei tarde e aquilo já me estava a parecer um pouco javardo, a fazer-me confusão. Cheguei a um ponto em que tive de ser honesta com ele "Querido, eu até gosto de ti mas não tenho forças anímicas para mais um min*te. Só amor daqui para a frente e eu não te abandono, sim?". Leio mais três páginas, digo "belherque!", pouso o livrinho na minha mesa de cabeceira, inicio algo seguro, um Turguénev.