Bem, hoje tive um dia ambíguo e agora, que falta meia hora para se findar, nem sei que balanço, que saldo hei-de fazer. Ontem, fui jantar a casa de uns amigos meus que foram pais há pouco tempo. Enquanto me preparavam um repasto digno de uma rainha - sim, que só me dou com gente que gosta de comer e de cozinhar, primeiro alicerce de uma amizade salutar e duradoura - ela passou-me o bebé de seis meses para as mãos e disse "treina". Dei-lhe banho, vesti-o, escovei os cabelinho dele com aquelas escovas macias da Johnson, seguiu-se o biberão com ele a babar-se todo pelo queixo abaixo e depois de o pôr arrotar, deitei-o finalmente no berço (que entretanto já estava cheia de fome e cheirava-me a arroz de marisco). A coisa correu mal aí, ele esperneou primeiro um bocado enquanto gemia baixinho e depois começou a berrar, com as mãozinhas fechadas a esfregar os olhos e a espalhar as lágrimas pela cara. Experimentei pôr-lhe a chucha e ele virava a cabeça e ainda gritava mais alto, contrariado, arrealiadíssimo, até que veio uma voz da cozinha com a solução milagrosa "tens de lhe pegar ao colo e andar um pouco de um lado para o outro". Vim para casa e quando adormeci, sonhei toda a noite que tinha arranjado finalmente um cão, o que temos de admitir é um gozo flagrante e descarado do meu Id, como quem diz "isso é o mais semelhante que vais ter com uma criança". Está bem meu filho-da-puta, logo vemos quem se ri por último se bem que hoje ganhaste tu que acordei com um ar cadavérico. Durante a manhã recebo uma notícia que sei lá se é positiva ou não, caraças, só sei que tenho de levar a roupa de gente crescida toda para a lavandaria não vá o diabo tecê-las e eu só ter calções e mini-saias e skinny jeans para vestir. À hora de almoço, na minha antiga Faculdade, fazia intenção de comer um sopa à pressa porque tinha deixado o portátil sozinho e à grande na biblioteca, quando reparo que o único lugar sentado no bar era ao pé do professor mais detestado dali que me chumbou duas vezes na mesma cadeira e só me passou à terceira depois de uma oral de uma hora e vinte, onde aí sim deu-me um notão e ainda me disse na cara "vê, não acha agora que valeu chumbar das outras vezes?"´. Mal me viu de tabuleiro na mão, perdida, tirou logo os livros e o jornal para eu me sentar à frente dele. Quinze minutos de conversa totalmente awkward. Ao fim da tarde fui dar uma volta e acabei a comprar uma camisolinha de tricot e um cachecol para os meus gatos, que juro sãos amorosos mas entretanto já fui gozada por isso. O que vale é que tenho uma família que me ama e compreende. Quando chego a casa o meu irmão emigra tinha voltado para umas breves férias e tinha-me trazido do estrangeiro como prendas três tabletes GIGANTES de chocolate de leite e uma garrafa de Vodka de sabor a caramelo. É claro que recalquei o facto de ser um dia de semana e de estar sozinha e enquanto escrevo este post vai para aqui um real festim.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
É verdade que há momentos em que fico frustrada e daí é meio caminho andado para um ressabiamento e maldade que não são característicos no meu estado normal. Eu sou o típico gatinho que se assanha porque está incomodado, estou aqui tão bem e sossegado e vens aqui tu contrariar-me "PSSSSSSSSSSSSSSXXX", pélo eriçado, dentes arreganhados, garra direccionada para a desfiguração facial do opositor, como te atreves a pertubar a minha concepção de felicidade? Depois acalmo, que a loucura é grande mas vem em acessos doseados, e volto a ser o bichano de estimação da casa cuja ocupação favorita é estar embrulhado na manta de flanela com os bigodes ainda a pingar o leite morno. Se é verdade que ando triste e desapontada também é verdade é que quanto mais penso no assunto mais sei que a culpa ficou algures perdida num vácuo qualquer. Ninguém tem culpa do que sente (ou neste caso, não sente) por nós, já deveria saber que isto é assim mesmo, que alguém já deveria ter dito ao Cupido "Meu, antes de ires disparar as setas não bebas que aquilo lá em baixo anda tudo fodido à tua pala" mas enquanto isso não acontecer é inevitável este fogo cruzado, este constante desencontrar de emoções. A quem eu quero enganar com a minha história constante do "azar com os homens" quando também eu fui razão para tantos (vá, alguns) dizerem "não tenho sorte com as mulheres"? O que me custa a admitir é que quero muito apaixonar-me de novo. Não, não detesto os homens, nem abomino o amor. Uns e outro trouxeram-me os melhores momentos da minha incipiente vida. Por isso sim, recuso este tentador papel de cínica que admito - me assenta às mil maravilhas - e fico à espera de uma ligação mais acertada. Enquanto isso, vou ali para o sofá com a manta dos quadrados mais o bigode de leite.
Hoje ao fim da tarde estava deprimida e quando estou deprimida, como todas as mulheres, gosto de gastar dinheiro em coisas que não preciso directamente. Num rasgo de optimismo - é necessário acreditar religiosa e cegamente que dias mais agitados me esperam num futuro não muito longíquo- fui à minha loja de lingerie favorita e gastei lá um montante que me vai inibir de olhar para o meu extracto bancário nos próximos tempos. As vendedoras farejam a auto-estima em baixo, como os tubarões cheiram uma ferida em sangue a kms de distância. Decidiram-me mostrar uma novidade, um soutien de mais trinta euros que me garantiam que fazia transformações. Fui experimentar e depois de vestido, nem que custasse cem. Aquilo é um reino de ilusionismo, ficamos com maminhas empinadas, direitas, juntinhas mas não necessariamente grandes, o que é ideal para mulheres como eu que gostam de parecer boas mas mesmo assim serem discretas. Palpita-me que daqui para a frente vai ser só carinhas tristes, com uns vincos de desilusão, quando o soutien saltar e for revelada a realidade, que digo já, é fraca. Temos pena, que eles também nos enganam numa quantidade considerável de coisas.
[Longe de mim querer insinuar com este post que os homens só ligam a mamas. Também gostam de rabos.]
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Amor-Próprio
Ao ver as figuras alheias devemos retirar notas para nós próprios. Não há nada mais triste que aquelas mulheres pedinchonas que não percebem que com aquele gajo não vale a pena insistir ( e homens a mulheres, o vice-versa também se aplica é só mais comum ver o género feminino nestas figuras desesperadas, infelizmente).
Ontem ao fim da tarde estava no ginásio a correr quando tive uma caibrã colossal na perna direita. Tive de parar a máquina em modo de urgência e comecei a gemer baixinho agarrada à perna, enquanto dava uns saltinhos rídiculos para manter o equilíbrio só na perna esquerda. A duas passadeiras de distância, o J. também corria e mal se apercebeu da situação, saltou também da dele e veio ter comigo, preocupado, "estás bem, estás bem? magoaste-te?. Agora uma breve explicitação, o J., é um dos instrutores do ginásio e é um daqueles raros homens a quem eu não mudava o que quer que fosse. Um absoluto devaneio, alto, morenaço, todo tonificado mas sem aquele excesso que se torna nojento, uma cara de puto malandro aos trinta anos que derrete qualquer uma, um sorriso alinhadíssimo e branco, um 10/10 total, um sonho, uma maravilha da genética. No Verão quando o apanhava na piscina, de calções justos, cometia a baixeza de utilizar os truque dos óculos escuros para olhar gulosamente à descarada. Ontem, então ele foi buscar um colchão, obrigou-me a sentar lá e começou a massajar-me a zona afectada. Em primeiro lugar, dei graças a Deus por me ter dado na cabeça ter vestido as calças de lycra preta da Nike, que apertam tudo e deixam-me a sentir sexy - e que não fazem mais do que a sua obrigação tendo em conta o que me custaram- em vez daquelas largueironas de algodão coçado das lavagens da SportZone. Parece que adivinhei, pensei eu. Depois abstrai-me dessas interiorizações e aproveitei o momento. "Ainda te está a doer?" perguntou-me ele, com um ar profissional. Se está a doer? pensei eu, já não dói há sei lá quanto tempo, agora a minha preocupação é não corar e não demonstrar que estou a ficar "animada" com o que facto de me estares a tocar, ainda que no gémeo. Fiz antes um ar ligeiramente sofrido para dar a entender que sim, que ainda havia desconforto, que azar, que pena, preferia tanto estar ali a correr em vez de estar para aqui com um gajo altamente orgásmico a mexer-me e dar-me atenção. Infelizmente, o que é bom sempre chega ao fim, ele ajudou-me a levantar, ainda me amparei a ele e apalpei aqueles bíceps como quem não quer coisa, enquanto ouvia recomendações para um resto de treino sem percalços. Passados 45 minutos mais ou menos, estava na aula dele de Localizada. Durante todo o tempo ele olhava para mim e sorria-me e mandava-me piscadelas cúmplices, que levavam as outras mulheres e os brasileiros gays, a olharem para trás numa tentativa de descobrirem a quem era dirigida toda aquela simpatia. Com tanta coisa, ainda ficaram a pensar que ando a dormir com ele. Não faz mal, com um homem daqueles não podemos dizer que tenha ficado com má fama.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
É bom que não fiquem com dúvidas acerca da prioridade das minhas inspirações
Um dia tive a seguinte conversa da qual me recordei agora a arrumar alguns livros que tinha para aqui espalhados:
"Então, a tua gata chama-se Ariel por causa da Sylvia Plath, não?"
"Da Sylvia Plath? Por causa do Ariel da Sylvia Plath? Não, não tem nada a ver com isso por acaso."
"Então?"
"Foi por causa da Pequena Sereia".
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