terça-feira, 27 de setembro de 2011

Os meus amigos são os melhores do mundo, só assim se explica que ao perceberem que estou mais uma vez naquele estado absoluto de inadequação arrastam-me para um jantar e copos a uma segunda-feira à noite. Quando chego a casa, já tarde e com as emoções amansadas pelas garrafas de vinho e pela sangria de espumante, deito-me e leio o seguinte:

«Por vezes parece que as coisas serão assim: tu tens tal tarefa a cumprir, dispões de tantas forças quantas são necessárias para a levar a bom termo (nem muito, nem muito pouco, sem dúvida te é necessário concentrares-te, mas não tens que estar ansioso), com bastante tempo teu e boa vontade, onde está o obstáculo ao êxito dessa imensa tarefa? Não percas tempo a procurá-lo, talvez não exista.»

Directamente de um livrinho que recomendaria a todos que gostam de pensar, A antologia das páginas íntimas, de Kafka, o meu atormentado de eleição. E choramingo um pouco a pensar nisso e na sinopse da minha vida - essa contínua busca de obstáculos onde não existem e a cega negação deles quando me aparecem ostensivos e ordinários à frente. A constante ilusão das qualidades que supostamente eram boas mas que no fim nunca são suficientes e deixam-me a questionar se afinal as tenho ou não.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Se há uma coisa que me irrita particularmente nos homens é aquela preguiça característica para entender as coisas mais básicas de uma mulher. Não estou a pedir para perceber porque é que quando dizemos uma coisa, na verdade pensamos no exacto oposto ou porque temos um ataque de histerismo quando a Maybelline deixa de fabricar o nosso rímel favorito. Falo da simplicidade do jeito feminino. Um amigo meu há pouco dizia-me que não entendia a obsessão das raparigas com o peso. E eu tive de explicar que a questão do peso era a correspondente no nosso género à masculina com o tamanho do órgão sexual. A única distinção é que nosso caso é algo assumido e na maioria das vezes, injustificado.

Não entendo

Ainda há pessoas que vão a esteticista tirar os calos. Dão tanto jeito.
Tudo vem em péssimo timming. Agora que se puseram a fazer links e isto parece Roma com todos os caminhos a virem dar aqui - poderia aproveitar para prender mais leitores com a minha escrita "sofrível" (opinião de outra leitora que atentamente registei até este momento) e o meu sentido de humor transbordante de auto-compaixão e ironia de quem tem muitos espelhos em casa. Pois, para ter auto-crítica era preciso necessariamente ter coragem de me olhar lá - aos espelhos - coisa que devido ao grau de humilhação que sinto na cabeça não irei fazer tão cedo. Vá, durante uns dias. Não se surpreendam que eu desapareça do mapa por uns tempos. Logo se vê como acordarei amanhã.

Bons sonhos.

[é só porque da última vez que deixei de escrever num blogue, tive um surto de pessoas no facebook à minha procura e outros bloggers a fazerem anúncios do estilo "se sabem alguma coisa dela, avisem tal". A sério. Só a mim.]

domingo, 25 de setembro de 2011

Atitude II

Nada melhor que umas tapinhas de realidade na cara para percebermos que se aceitamos a merda de vida que temos, se calhar, lá no fundo, acabamos a merecê-la. Eu bem me queixo, isso é das coisas que destacadamente faço bem numa panóplia esmagadora das que faço mal, mas a verdade é que fico sempre muito passiva - olhar para a minha vida é a mesma coisa do que mirar aquele quadro de Van Gogh onde os corvos assombram a seara; aparentemente tudo pacífico e porém, não conseguimos deixar de antecipar um mau prenúncio. Estou farta, mais do que farta, exausta. Decidi começar pelo óbvio que são as coisas que controlo e acabei de escrever a minha carta de demissão que vai amanhã para os Recursos Humanos da minha empresa. Aliviadíssima, inspiradíssima, ainda que, obviamente, fodidíssima. Mas siga, que estou cansada de ser a miserável de serviço.

Atitude

Apetecia-me escrever sobre isso mas apercebi-me que ao fazê-lo estaria a atribuir-lhe uma importância que não merece. Se já me resignei que de tempos em tempos, mais ou menos no mesmo lapso que separa as aparições do cometa Halley, lá me aparece um que me arranca os pensamentos mais idiotas, recuso-me contudo a que também me leve algumas palavras.

sábado, 24 de setembro de 2011

Acerca deste post que faz referência a uma verdade incontornável finalmente admitida por um homem - ao menos um que não tenha cara-de-pau e assuma que a farsa não é possível de ser mantida por muito mais tempo - lembrei-me de outra categoria de homens. Aqueles que supostamente também gostam muito de raparigas inteligentes e espirituosas mas depois acabam por trocá-las por outra com as mamas maiores. E depois quando confrontados com isso dizem qualquer coisa do género "ah não é pelo que tu pensas, ela também é muito interessante e querida".