sábado, 17 de setembro de 2011

Há pouco tempo enquanto esperava que a máscara que aplico nos meus lindos caracóis actuasse dediquei-me a um passatempo que muito aprecio, apesar de pouco dignificante para alguém que ainda se gaba do resultado do exame de QI que fez aos dez anos de idade. Ver blogues assumidamente maus, trinta minutos (uma hora quando estamos a sentir-nos miseráveis) e temos uma injecção de auto-estima e confiança; voltamos ao nosso blogue, relemos um texto e aquilo até já nos parece algo que poderia ter sido escrito perfeitamente pela Doris Lessing ou outro Nobel qualquer. Se em alguns casos o problema é a qualidade intríseca da escrita, noutros é a escolha de tema que peca. Nestes últimos casos, o pior é quando o tema é uma válvula de escape - aquela coisa acerca da qual se escreve quando não se tem nada acerca do que escrever mas Deus nos livre de ficar um dia sem actualizar o blogue que o Sitemeter depois fica zangado connosco e quando ele fica zangado grita muito e faz as pessoas chorar. Pensei depois, num misto de pânico e surpresa, que isto do post válvula de escape é algo transcendente aos blogues maus. Também já vi isto em blogues que considero bons, ou mesmo muito bons. É uma praga entre os bloggers e eu fiquei assustada porque tenho um sistema imunitário deficitário e não quero fazer posts (ainda mais) maus. Felizmente, sou uma pessoa proactiva para as coisas que me interessam e percebi que a forma de evitar este flagelo era elaborar uma linha editorial - uma lista sucinta de assuntos acerca dos quais poderia escrever e outros que não. Então saiu algo assim:

Coisas acerca das quais prometo nunca escrever:

1- Namorados. Quando arranjar um namorado não vou escrever textos sobre o "meu amor", a dizer que ele é lindo, que cozinha para mim, que fez algo muita giro não sei onde, que se esqueceu do nosso aniversário, que coitadinho só faz asneiras mas eu gosto dele assim.

2- Morte de celebridades e coisas relativas à morte de celebridades. (cof cof o videozinho da Amy com o Tony Bennet).

3- Férias e fotos de férias.

4- Post do estilo "vejam o que eu fiz na última semana" com menção ao croissant que se comeu ao pequeno-almoço e à prisão de ventre que se sofreu durante três dias até que se decidiu ir à farmácia comprar Dulcolax.

5- Fotografias do meu casamento com a cabeça cortada.

6 - Fotografias do meu casamento com a cabeça não cortada.

7- Fotografias minhas de qualquer espécie.

8- Futebol (excepto se o Sporting ganhar ao Benfica na Luz, caso em que enfim, não sou de ferro...)

Coisas acerca das quais eu prometo escrever:

1- Gatos.

2- Depressões.

3- Álcool e calmantes.

4- Homens todos bons que não nos amam e só nos querem foder (em todos as acepções do termo).

5- Livros.

6- Madonna.

7- O Sporting se ganhar ao Benfica na Luz.

8- Gatos.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Gosto muito daquelas pessoas que me perguntam quanto eu pago de mensalidade por um livre trânsito no meu ginásio, e quando eu respondo dizem perplexas "eich, que estamos bem na vida!". E depois eu tenho de observar que por mês aquela pessoa em questão deve gastar o mesmo ou mais em tabaco e forma-se ali  um momento embaraçoso.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Juro pela minha saúde...

Que há uns momentos atrás vi na Sic Notícias, o Cristiano Ronaldo num dos seus momentos delirantes. Então perguntam-lhe porque é que ele acha que é vítima de tantas agressões que não são assinaladas por parte dos árbitros. Ele, num inglês "socrático" responde o seguinte, com uma expressão séria no semblante sem recear olhar o entrevistador nos olhos, "Eu acho que é por eu ser bonito, rico e o melhor jogador do mundo. As pessoas têm inveja de mim, o que posso fazer".

[não vou tecer grandes observações, mas confessa lá Cris meu amor, quem é que disse que tu eras bonito - Deus me perdoe que não tens culpa de ser tão saloio - com essa cara de trolha sempre cheia de sebo? A mamã nas sms que te manda? A Irina quando fazem amor? Os fóruns gays que visitas à socapa, como quem não quer coisa, durante os estágios?]
Há dias, como o de hoje em que sentia mesmo aquela necessidade de falar, que sou atingida por uma clarividência que podia ser reconfortante mas não é. O que me custou tanto não foi perder o meu namorado mas o meu melhor amigo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Eu sabia que isto ia ter repercussões

Desde de sexta-feira passada, quando aceitei ir a uma famosa discoteca gay da capital com uns amigos meus, que ando com a Edge of Glory da Lady Gaga na cabeça. Dou por mim a secar o cabelo, a ler o Cavaleiro Ferreira, a limpar o caixote dos gatos, a fazer compras no Continente e a cantarolar «It's hot to feel the rush; To brush the dangerous; I'm gonna run right to; To the edge with you; Where we can both fall far in love», afinadíssima como um rouxinol prodigioso ou aqueles concorrentes que não passam da primeira audição nos Ídolos.

Oh God.
O meu erro não foi ter aquela fé quase provinciana que ele podia mudar. Foi acreditar sim que ele podia mudar por mim, uma pessoa que claramente não valia a pena.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Bom dia

Bom dia, o ....(inserir palavra acabada em "alho" que não vou escrever por ser muito feia). Consegui dormir cerca de duas horas. Às seis e pouco da manhã ainda estava despertadíssima como se tivesse estado a tomar shots de cafeína a noite inteira e em desespero de causa lá tive de recorrer à minha maleta mágica, à farmácia privativa que sempre me socorre em qualquer momento de crise existencial. Às oito e meia da manhã o despertador toca e eu estava deliciada a sonhar com póneis que voavam nas nuvens, com a crina em trança e gatos falantes que andavam direitos nas patas traseiras e usavam fatinhos de gente mas em miniatura. Grito primeiro "nãaaaaaaaaao" e depois "foda-se" furiosamente , quando as repetições do alarme não me deixem ser negligente e cismam em alertar-me para as responsabilidades da vida. Arrasto-me para o banho e fico em estado traumático durante sei lá quantos minutos, perdi a noção do tempo e do espaço. Enfiar o pé direito no sapato foi uma epopeia. Neste momento em que escrevo, bebo o meu terceiro café e sabe lá Deus quantos serão precisos mais para aguentar a porra deste dia - enfim, um mimo para a tensão arterial. No geral, pareço alguém que foi sujeita a uma lobotomia, o olhar vítreo a fixar um ponto no vazio, a compreensão tão lenta que nem podemos dizer que é compreensão, só me falta babar, mas antecipo que a seguir ao almoço quando bater a vontade de tirar uma sesta o ramalhete fica completo.

Estou muito bem disposta e nestes dias só posso ficar muito feliz por ser muito díficil arranjar uma arma em Portugal, sem ter que me dirigir a um bairro problemático sozinha onde aí sim, segundo uma reportagem da TVI, arranjava uma automática por 30 euros.