sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Das relações amorosas

Se forem bem levadas a única coisa que se altera na tua vida é a alegria genuína que passas a sentir de cada vez que te aparece o período.
Ontem voltei a ter uma insónia e eram duas da manhã quando comecei a ver o Gilda, um clássico noir que tinha para aí há cerca de uma década para ver e nunca mais. Gostei muito e agora fazia uma pequena exposição sobre a qualidade do cinema nesse tempo, que ia desde argumentos realmente interessantes e com detalhes originais, a romances censurados pela época com os beijos de boca fechada como imagem de marca mas que mesmo assim conseguiam ser sensuais para quem assiste, e a realização e a fotografia, ambas cheias de classe, nível, dá gosto ver. Fica para outro dia que vou para a praia, do Gilda só posso acrescentar que se um dia tiverem uma filha e quiserem ter a certeza que ela vai ser uma brasa, metam-lhe o nome de Rita.



quinta-feira, 25 de agosto de 2011

É nesta fase que todos os homens sacam do bloquinho de notas


A solidão de determinados homens

Há determinados homens que só se contentam em arranjar mulheres díficeis. Dá-lhes um certo gozo treinar os seus modos de animal predador e a adrenalina da conquista de uma mulher que antecipam que é boa torna-se um perigoso vício, uma espiral da mais refinada sedução, jantares caros, cerco mais do que cerrado em todas as frentes. Esses homens, aplicam tanto fervor nessa fase inicial do romance - aí elogiam e admiram tanto - que depois quando a conquistam, cedo começam a olhá-la com alguma vulgaridade. Daí deriva uma quebra de interesse que não passa despercebida à mulher que estava a ser apaparicada e que ouviu dizer que era linda, inteligente, interessante e que agora passa a parecer uma intrusa, não somente uma intrusa, uma intrusa das horas vagas que ele a custo lhe cede. Os mais extremistas são tão bons a sentir estas coisas - esta alteração substancial das circunstâncias, que é uma expressão jurídica altamente aplicável a este cenário - que conseguem fazer a própria mulher duvidar da sua beleza, da sua inteligência, do seu interesse. Até ao dia em que depois de muito rombo de auto-estima, aparece outro que a re-descobre e ela volta a ter seguranças daquilo que é, por mais silly e anti-feminista que seja esta ideia de ser um homem a destruir e outro a renascer o amor- próprio de uma mulher. Ele, o primeiro, aperceber-se-á do que perdeu no seu desleixo e negligência picuinhas, quando tentar reconstruí-la nas bimbas, pacóvias e suburbanas que vai usar de seguida para a esquecer.

Quebra - tesão

Hoje estava à preparar-me para a aula de BodyCombat, a por aquelas faixas à volta das mãos que basicamente só servem para o estilo, a pensar o que estava ali a fazer, cheia de sono, quando entra um tipo todo bom na sala e eu subitamente fico cheia de energia e com vontade de caprichar no meu desempenho, normalmente medíocre. A aula estava a ser muito mais divertida e rápida do que o costume até ao momento em que percebi que ele estava a fazer flexões de joelhos. Como eu e todas as outras restantes mulheres.

[ah a falta que a tropa anda a fazer.]

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Nocturnos

Nas insónias socializa-se no Facebook.

1. Conheci o "Don" (nome fícticio já explico vindo donde) há seis anos atrás num festival, nos tempos em que eu era uma miúda toda gira que se queria aguentar para ver a banda principal mas à terceira banda já estava atravessada em imperiais, quando não era naquelas misturas caseiras de vodka com sumo rascão do Dia que levavámos em garrafas de litro e meio de Sumol e que no dia seguinte perguntava a toda a gente " e esta, tocaram esta?". Ficámos muito amigos desde então, ao ponto que quando a Yorn lançou as sms grátis cheguei a ter 3000 mensagens dele no telemóvel. Contudo, durante dois anos não nos falámos e há coisa de duas semanas retomámos o contacto e felizmente, porque podia ser estranho e tal, parece que tinhamos deixado de falar na véspera. O "Don" é um par de anos mais novo do que eu e procura-me para os mais vários desabafos e conselhos sobre as mulheres - eu abraço esse papel de sapiente com gosto e partilho o pouco que sei. As conversas com o "Don" vão desde de conflitos relacionais (numa relação séria com uma mulher que gosta o rapaz é assediado por tudo quando é lado e apesar de conseguir manter a postura e a fidelidade, só a mim nestas conversas tardias, admite que lhe apetecia comer todas), a séries televisivas ( descobrimos que apesar de não falarmos aquele tempo todo tinhamos começado os dois a ver o Madmen há pouco tempo e que estavámos os dois obcecados pela personagem principal - o Don Draper, pelo que passamos horas a falar disso), e outros assuntos relevantes como comida e a cor de que devo pintar o cabelo (altura em que o sujeito a demonstração de várias fotografias minhas ao longo dos tempos com as hipóteses e ele saturado diz " deixa estar como está, que estás bem.." e eu insisto que quero pintar e ele lá diz "a primeira" e eu "achas que ficava mais gira assim do que estou agora?" e ele "sim" e eu "!!!!!!!!!! mas esta é a minha cor natural! eu devia ser mais gira assim!" e ele "%nmjdedmhbf8!hhhgfkm! mas foste tu que me levaste a dizer isso!" e eu "boa noite" e vou-me embora e no dia a seguir ajo como se nada se tivesse passado.

2. O meu irmão que também tem insónias e que fala do trabalho e da namorada e diz mal do Benfica, altura em que eu mostro o video da águia a aterrar nas costas do adepto e partilhamos um momento de riso familiar em conjunto.

3. Com uma amiga minha da faculdade que depois de se queixar do namorado me pergunta - "Então e já pesquisaste alguma coisa?! Já tenho dois dossiers e comecei a semana passada." (Agora vocês advivinham quantos é que eu tenho e também partilhamos um momento de riso em conjunto).

E agora caminha.