terça-feira, 23 de agosto de 2011

Nocturnos

Nas insónias socializa-se no Facebook.

1. Conheci o "Don" (nome fícticio já explico vindo donde) há seis anos atrás num festival, nos tempos em que eu era uma miúda toda gira que se queria aguentar para ver a banda principal mas à terceira banda já estava atravessada em imperiais, quando não era naquelas misturas caseiras de vodka com sumo rascão do Dia que levavámos em garrafas de litro e meio de Sumol e que no dia seguinte perguntava a toda a gente " e esta, tocaram esta?". Ficámos muito amigos desde então, ao ponto que quando a Yorn lançou as sms grátis cheguei a ter 3000 mensagens dele no telemóvel. Contudo, durante dois anos não nos falámos e há coisa de duas semanas retomámos o contacto e felizmente, porque podia ser estranho e tal, parece que tinhamos deixado de falar na véspera. O "Don" é um par de anos mais novo do que eu e procura-me para os mais vários desabafos e conselhos sobre as mulheres - eu abraço esse papel de sapiente com gosto e partilho o pouco que sei. As conversas com o "Don" vão desde de conflitos relacionais (numa relação séria com uma mulher que gosta o rapaz é assediado por tudo quando é lado e apesar de conseguir manter a postura e a fidelidade, só a mim nestas conversas tardias, admite que lhe apetecia comer todas), a séries televisivas ( descobrimos que apesar de não falarmos aquele tempo todo tinhamos começado os dois a ver o Madmen há pouco tempo e que estavámos os dois obcecados pela personagem principal - o Don Draper, pelo que passamos horas a falar disso), e outros assuntos relevantes como comida e a cor de que devo pintar o cabelo (altura em que o sujeito a demonstração de várias fotografias minhas ao longo dos tempos com as hipóteses e ele saturado diz " deixa estar como está, que estás bem.." e eu insisto que quero pintar e ele lá diz "a primeira" e eu "achas que ficava mais gira assim do que estou agora?" e ele "sim" e eu "!!!!!!!!!! mas esta é a minha cor natural! eu devia ser mais gira assim!" e ele "%nmjdedmhbf8!hhhgfkm! mas foste tu que me levaste a dizer isso!" e eu "boa noite" e vou-me embora e no dia a seguir ajo como se nada se tivesse passado.

2. O meu irmão que também tem insónias e que fala do trabalho e da namorada e diz mal do Benfica, altura em que eu mostro o video da águia a aterrar nas costas do adepto e partilhamos um momento de riso familiar em conjunto.

3. Com uma amiga minha da faculdade que depois de se queixar do namorado me pergunta - "Então e já pesquisaste alguma coisa?! Já tenho dois dossiers e comecei a semana passada." (Agora vocês advivinham quantos é que eu tenho e também partilhamos um momento de riso em conjunto).

E agora caminha.

Legado

Li há pouco um texto sobre a perda e surpreendi-me quando percebi que nada daquilo me comovia - o desespero mais ou menos evidente resultante do desgosto do adeus que se espera não ser definitivo, as putas das saudades, o sentimento fatalista que nos leva a pensar "eu não vou viver sem esta pessoa" ou se viver, vou ser uma espécie de autómato, que come, fala, dorme, faz o que se pede dele num modo piloto automático em jeito aristotélico, cumpre sempre mas não sente. Não me comove porque agora sei que faz parte tudo do histerismo do pós- trauma - ainda bem que ele existe para todos nós que gostamos de arte e somos românticos - mas não é um sentimento real,  porque se fosse não se diluía nos meandros de algo supostamente muito menos consistente: o tempo. É tudo muito bonito, muito intenso, dá lindas histórias de vida, experiência, "mais vale ter amado e ter perdido do que nunca ter amado", adquirimos umas rugas e uns cabelos brancos que só dão charme aos homens ao mesmo tempo que perdemos o brilho dos olhos, devia valer a pena e o caraças mas a  mim é que não me voltam a apanhar numa semelhante. À medida que lia aquele texto dava-me vontade de dizer à autora aquilo tudo que me diziam em tempos - que passa, que chega o dia em que honestamente queremos lá saber do que se passa com o outro, em que já não temos vontade de escrever bittersweet e-mails, que antecipamos que não vão ser respondidos, às quatro da manhã, em que encontramos desprevenidos uma qualquer recordação e  já não começamos a chorar à desgarrada. Isso passa tudo, o que achamos ser o pior passa e depois vivemos a nossa vida, bem. E aqui vem o sentido real do pior. Não é aquela sensação altamente consciente que continuamos a gostar de alguém que já não temos, o que apesar de ser destrutivo é também honesto e coerente. O pior é hoje - é estar bem e por exemplo sonhar com ele, e acordar transtornada em suores frios, e deixar-me ficar transtornada durante o dia, em algo que corrói ,que amarga. O pior não é amar na perda, é odiar. Porque o primeiro passa, já sei disso, o segundo acho que não.

sábado, 20 de agosto de 2011

Relógio Biológico

É oficial, finalmente começou a dar horas. Não acho que deva adiar por muito mais tempo e toda a gente diz que quanto mais cedo melhor, que se criam com maior facilidade. Sinto-me madura o suficiente apesar das inseguranças que todas as pessoas dizem ser normal aquando do primeiro, será que saberei tratar dele, será que o vou deixar cair ao chão, será que não vou ter vontade de o atirar pela janela quando não me deixar dormir de noite e/ou até ao meio-dia?


Apesar de tudo sim, vou arranjar um cão.


[e quero um destes para quando for a passeá-lo na rua de trela e capinha cor-de-rosa nos dias de inverno, as pessoas observarem "olha ali, aquele cão é mesmo parecido com a dona". Acho muito giro quando isso acontece, os animais e os donos terem feições parecidas.]

Educação sexual

Qualquer mulher que queira aprender a arte de satisfazer sexualmente um homem  tem de ignorar a Marta Crawford e os destacáveis da Maria e arranjar dois amigos gays. Em mente devemmos ter que eles são homens como quaisquer outros, logo gostam das coisas que todos os outros homens gostam, excepto de mulheres. O plano é simples: arranjar umas garrafas de bom vinho tinto, ir enchendo os copos e ficar à espera do momento em que as revelações começam a brotar. Nessa noite, a aprendiz só pode bebericar de forma a absorver a informação, porque qualquer distracção ou mal-entendido nesta temática pode conduzir a erros imperdoáveis. Os meus dois amigos gays, são um casal simpático e muito desinibido, que caem neste ardil com uma facilidade extrema - eu e a minha outra amiga que irremediavelmente me acompanha nestas noites cumprimos o nosso papel de mulher portuguesa - fingimo-nos de desinteressadas, ligeiramente púdicas, emitimos uns trejeitos em tons depreciativos (que nojo! alguma vez na vida!) enquanto perspicazmente lançamos uns comentários que permitam que a conversa se desenvolva. Eles nem se apercebem e continuam como quem está a falar de algo muito funcional, como montar um móvel do IKEA, o X. vai buscar um livro cheio de imagens acrobáticas e perante o nosso embaraço anatómico relativiza as coisas "é assim, ok que aqui estão dois gajos, mas um está a fazer de gaja, vês até está com um top de alças vestido, por isso é a mesma coisa...". Ensinam-nos novas expressões, e sinto-me ligeiramente ignorante  quando quase com trinta anos tenho de perguntar "  mas o que é isso? não sei o que isso é".No fim, depois de duas horas para aí em eles que falam só de sexo, vão tirar-nos os cafés e dão-nos de brindes preservativos e amostras de lubrificantes - dizem que roubam das caixas de prevenção da SIDA dos bares homossexuais e têm uma gaveta cheia daquilo.  É bom que a Abraço tenha a noção do fim das suas campanhas.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Tentativa desesperada de demonstrar que não sou lamechas depois do post anterior


Se és uma mulher de gosto refinado e sofisticada - como eu, cof cof - vais deparar-te com este cartaz agora espalhado pelas ruas da cidade e vais conseguir sentir-te excitada pela Mila Kunis.