Não tenho pensado muito em ti. Mas quando penso nisso - no facto de pensar cada vez menos em ti- apercebo-me que isso deixa-me muito mais triste, do que quando pensava ininterruptamente, e o resto das coisas não tinham sentido ou importância. Continuam a não ter, essa é a questão, se assim não fosse, nada disto importaria e eu poderia dizer que estava bem.
sábado, 16 de julho de 2011
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Um pequeno passo para o Homem, uma grande passo para a Humanidade
Um dia iremos todos para os nossos trabalhos de havaianas enfiadas no dedo do pé, calções e parte de cima do bikini por debaixo do top de alças. E não será por causa daqueles asquerosos do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda, que fizeram do não uso da gravata um statement rídiculo de inconformismo ao longo dos anos. Será por causa de uma mulher de direita, que se decidiu a ser prática, em vez de parva.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Questões retóricas
Tipo, e quando nos são aplicáveis três, quatro ou cinco destas categorias. É porque estamos bem na merda, não é?
Quando li isto, tive de discordar num mero ponto, com o devido respeito que tenho pela autora. O que me irrita na Pipoca e imitações (à Pipoca reconheço o pioneirismo) não é a feminilidade - mas a ridicularização da mesma. Ser feminina, não tem a ver com maquilhagem e carteiras de marca; feminilidade é essência, é a Vénus de Boticelli, nua e de ondas ao vento, e não a melhor das fashionistas que não faço ideia quem seja em sapatos Loubotin. O que me irrita nas Pipocas e afins não é que sejam femininas, no sentido que vestem as roupinhas da moda e postem as fotografias das indumentárias para alimentar o resto das ovelhas tresmalhadas no fashion sense - é que deturpem um conceito, uma noção, que façam de conta que não percebem que não há dinheiro nenhum no mundo que compre a feminilidade a quem não nasceu com ela.
Questão
Perguntava-me porque é que a paixão alheia nos é sempre tão nojenta. A questão surgiu-me depois de ver duas miúdas a beijarem-se fogosamente na estação do Rossio e antes que pensem, o asco não foi por se tratar de duas mulheres, que eu sou toda pró-gay, pró-amor, pró-quero-lá-saber-desde-que-não-me- chateiem. Todos nós (suponho que sejam seres sexuados) já fomos surpreendidos em situações onde os lábios não se descolavam e as mãos, essas marotas, ganhavam vida própria e autonomizam-se do pudor e da moral e percorriam zonas do corpo então desejado, que não deviam ser percorridas, em locais menos recatados. Estas experiências podem ter graus de arrojo distintas, do linguado de quinze minutos (como as meninas no Rossio), à rapidinha temerária. Quando acontece connosco, este ataque fulminante de paixão, no momento pós-consciente somos atingidos por uma vergonha autêntica, mas nada nos tira o gosto do pecado bem cometido. Todavia, quando nos deparamos quando estas manifestações nos outros, viramos avózinhas de lenço apertado à volta do queixo, não nos escapa o "que badalhoquice" mas pensamos nele, "que fossem para uma pensão", e desviamos o olhar - não para não incomodar os apaixonados (que em bom rigor, na maior parte das vezes, nem se aperceberiam) mas para nós próprios não nos sentirmos incomodados. O senso-comum justificaria isto pela dor de cotovelo - enquanto olhamos, os outros tiram o proveito; e o senso-comum esquece-se então de todos esses peeping toms pelo mundo fora, que adoram ver e não fazer nada. A razão verdadeira é que a paixão é o sentimento menos empático à face da terra, só a compreendemos quando somos nós a senti-la, quando é o nosso corpo e a nossa cabeça que é levada para a abstracção dos actos impensáveis, das coisas que jamais faríamos. Quando são com os outros, porque os outros nunca são capazes de sentir como nós sentimos, é apenas imoralidade, porcalhice e hormonas bem apimentadas, que isto agora sabe-se e pensa-se em sexo desde muito pequenino.
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