O meu problema não foi o crime precedente - traduzidos em pequenos delitos de ganhos irrisórios - mas sim a prática do posterior branqueamento desse. Tratando-se de um crime de conexão, havendo esta tal necessidade de um cometimento de um ilícito anterior que origina o segundo, ele deve-se ter perguntado como me iria punir. Se fosse benevolente, teria optado pela consunção do primeiro pelo segundo, e a pena seria menor. Mas ele não leu isto, estas teorias do facto pós-compunido, não quis saber da conaturalidade da ocultação à prática de qualquer crime de título aquisitivo - que leigamente se traduz "quem faz porcaria tenta escondê-la sempre debaixo do tapete". Concluiu que ofendi-o em diversas facetas, em diversos bens, e neste caso, não há como fugir ao concurso efectivo e a uma sanção especialmente agravada.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Eu não me apaixonei por ele, porque ele era «tudo o que eu procurava e queria». Apaixonei-me por ele porque ele era tudo o que eu não procurava e sem saber queria. E como todo o pugilista dirá, ninguém se consegue levantar de um murro que não se espera e nos deixa KO.
A priori, ele tinha características que me atraíam muito. Mas durante algum tempo e embora me deixasse levar negligentemente pela corrente de enamoramento, tinha o pressentimento que aquilo era excelente mas não era para mim. Então, num fim de tarde de Domingo falámos pela primeira vez a sério - ele ria-se, numa falsa descontracção e eu achei-o enternecedor, sem ser num sentido condescendente. Foi nesse momento que senti a ferroada e ainda estou para aqui aflita com a flecha.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Simbologia
Love and Death, 1975
O momento em que ele lhe aponta a espada, é a síntese de todo o impulso que leva o homem banal a dizer a uma mulher que já sabe que é bonita, "és bonita".
Vergonha na cara
Como sabia que não me ia cruzar com as mesmas pessoas, vesti o mesmo vestido dois dias seguidos. Não foi por aquele reflexo infantil de menina que se quer sentir especial na sua fatiota preferida; nem pela segurança que a peça de roupa certa traz, em alturas determinantes das exigências da nossa maturidade. Acordei tarde e já exausta mentalmente para me preocupar com o "que ia vestir" e aquilo estava ali à mão, em cima de uma cadeira, tal e qual como o tinha deixado na véspera. Mais do que a ideia de que agora estou a dar em porca, incomoda-me o facto de que mesmo assim me preocupe com as aparências.
Melhor
Como lidar com a atracção obscenamente atroz que uma pessoa que nem sequer conhecemos, mas já detestamos, nos provoca?
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