quarta-feira, 29 de junho de 2011

Paradoxos dos quais não gosto

Como explicar a atracção obscenamente atroz que uma pessoa, que nem sequer conhecemos mas  já detestamos, nos provoca?

Adaptação do conto de fadas à realidade

Há muito tempo atrás, numa discussão com ele perdi um dos meus sapatos, ali para o lados do Rato. História verídica. Agora que contemplo desolada uma espécie de planta da familía Cucurbitaceae, popularmente designada por "abóbora" que até há uma hora e meia atrás era a minha linda carruagem, questiono-me se algum dia ele o virá devolver. Para tal, esquecendo-se de que quem o deixou para trás não era nenhuma princesa encantada.

Facebook dixit


Até punha aqui uma poll, mas o meu objectivo é a pura divulgação de coisas que entendo serem de relevância científica, cultural, espiritual e do interesse geral de terceiros, que não são tão bafejados pela sorte como eu nos conhecimentos na rede social em apreço. Os meus "amigos" não sabem que tenho este blog pelo que posso continuar a colocar sarcásticos "likes" naqueles estados todos e alimentar em paralelo esta nova rubrica. Sim, sou uma cínica do caraças.

Hoje temos:

«Este ano Julho terá 5 sextas-feiras, 5 sábados e 5 domingos.Isto acontece uma vez a cada 823 anos. Estes anos são conhecidos como 'money bags'. Copie e cole no seu mural e o dinheiro aparecerá em 4 dias, baseado no Fengshui chinês. Quem ler e não publicar não recebe, diz a lenda...»

Link para a seguinte notícia.

«deixo aqui uma sentida beijoca à sexóloga Marta Crawford que usa mt a frase " fui de Rapariga a Mulher , é um pouco exagerado porque às vezes ,também se dorme nestes passos... principalmente qdo nos pedem o B.i para ir a um bar/disco pegajoso e nos olham com bravura p estarmos a comprar Farinha Pensal :D»

«MUAH!»

«RI.P Angélico !»

«LOLOLOLOL»

«De vez em quando gosto de tirar férias do Facebook, só para o Zukenberg não se achar muito importante. Afinal, sem mim ele fica apenas com 749 999 999 utilizadores...»

«Isto é o BENFICA e não o santos!!Respeita um clube que tem mais história do que tu algum dia vais conseguir estudar!!Por mim não vinhas para cá.
SPORT LISBOA E BENFICA»

«Estou à 8h a escrever para o trabalho de consumo... Acho vou falecer... Outra vez»

«ficou comovida com o documentário sobre a Lady Gaga .... e realmente acredita que uma mente determinada ,embora q avassalada por inúmeras situações , discriminada e feita pequena é capaz de chegar ao TOPO ...sem que ninguém se aperceba .Ela continua a caminhar de bicicleta e a ver as estrelas , não deixa de ser das realidades mais bonitas que uma estrela pode continuar a viver :D»

[juro que não entendo se algumas são a sério ou não, mas sei que são merecedoras de partilha]
Coubert tem aquele quadro memorável, que tira o D'Orsay do tédio do Impressionismo e que mete toda a gente que entra na sala com os olhos arregalados e risinhos nervosos. Pois é, o mundo, hipnotizado com as depilações à brasileira e à Saint- Tropez, esqueceu-se que antes todas as vaginas eram assim, peludas. Esse quadro é histórico porque ao fim e ao cabo não deixa de ser uma tela de uma perna aberta e a graça aparente reside na vulgaridade do escândalo, nas deambulações pelos primórdios do pornográfico moderno. As pessoas com quem estava quando vi esse quadro, divagaram sobre a dona daquela vagina. Seria uma prostituta, uma amante, um romance também escandaloso baseado essencialmente na fornicação animal que permitiu ao autor o à vontade e o descaramento suficiente para imortalizar a genitália da companheira? A análise é puritana e ignora o nome do quadro, "A origem do Mundo". Se a primeira associação é feita  inevitavelmente ao acto de dar à luz - ao grito pujante do bebé mal espreita do corpo da mãe- podemo-nos perguntar de facto, a que "origem" Coubert se referia. Claramente Coubert não pintou aquela vagina porque não respeitava o corpo daquela mulher; mas exactamente pelo oposto. Coubert pintou-a porque adorava a vagina como representação da concretização do amor e da paixão. Não era uma questão de orgasmos, mas de mera contemplação pelo corpo de alguém por quem nos sentimos extremamente atraídos; o que consegue ser melhor que o próprio orgasmo. A "origem" não traduz assim o canal anatómico pelo qual se contribui para o aumento da taxa de natalidade de um país; a origem do mundo é simplesmente o desejo.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O incrível progresso dos meus dias faz-me sonhar com um estado de comatose. Dizem-me "cuidado, que Deus castiga". Pois sim, a castigar-me já ele está.

domingo, 26 de junho de 2011

Há pouco falavam da minha facilidade em dar oportunidades - é verdade e eu própria, admito, tenho um carácter permissivo que muita gente confunde com banana ou mole. Eu explico, durante anos a fio acreditei que a teoria do bom selvagem era uma fábula, do que eu gostava mesmo era da concepção pessimista da natureza  humana tal e qual teorizada por Hobbes: somos todos egoístas, egocêntricos, procuramos a própria felicidade localizada no umbigo; e para tal competimos, desconfiamos e "bazofiamos" desenfreadamente. A vida - agora pareço aqueles bebêdos com a cabeça a tombar sobre o copo de aguardente na tasca do bairro - ensinou-me a ser diferente. Já precisei de uma segunda oportunidade e foi-me dada. A gratidão foi incomensurável e ensinou-me uma coisa importante: a ter fé nas pessoas. Na maioria das vezes sou de uma negligência atroz - faço de conta que oiço, enquanto sorrio e emito expressões de concordância - mas para quem vale a pena, faço de tudo para que tenham também fé em mim.

Auto - avaliação

Querer o melhor (atenção o "melhor mesmo", e não o "melhor que se pode arranjar") devia pressupor uma auto-crítica intensiva. Sem este juízo de prognóse, os resultados podem ser vergonhosamente catastróficos para quem, à semelhança de Ícaro, decide voar demasiado perto do Sol esquecendo-se da substância com que é feita as próprias asas. Arranjando uma ilustração mais actual, imaginem a Ronalda toda vestida de Dolce & Gabbana. Olhamos uma primeira vez; damos o benefício da dúvida e voltamos a olhar. Pura e simplesmente, não resulta e sabemos, numa malvadez mal-disfarçada mas muda, que a culpa não é da dupla italiana.