ex vi PostSecret
domingo, 13 de março de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
Pérolas da democracia
Aqui há umas semanas atrás estava a jantar e a fazer zapping e apanhei o Glee. O miúdo gay, cujo nome não me recordo mas que canta muito bem, estava a ser vítima de bullying por parte de um matulão. Eu vi aquilo e pensei logo "Hmmmm, temos aqui um amiguinho com recalcamentos" e fiquei a ver. Passadas umas cenas, o Kurt (já me lembrei!) farta-se da perseguição do outro e confronta-o. O outro responde-lhe espetando-lhe um arrebatado beijo na boca. Podemos dizer que isto são muitos anos a ver séries televisivas norte-americanas, mas eu acho que é mais simples do que isso. Tendo a desconfiar de pessoas que supostamente confortáveis com a vida delas próprias têm a necessidade de julgar e criticar a dos outros. E é tudo que tenho a dizer sobre isto. Mas isto sou eu, que sou liberal, não me confundam com evoluída.
A modos que é assim...
A minha mãe tentou fazer-me um arranjinho com um jovem médico com quem travou conhecimento na esteticista. Esta - que não é abrangida por qualquer espécie de segredo profissional, sublinhe-se- confidenciou que ele vai ao salão de estética para fazer depilação a laser nas costas.
A mãe conta-me isto com um ar comprometido e semi-deliciado, de quem fez um grande achado que me vai salvar da miserabilidade sentimental em que me encontro. Faltaram-me as forças para apontar tudo o que havia de errado nesta hipótese.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Spoiler
No ínicio da nossa relação ele mandou-me um link para uma notícia que versava sobre o Museum of Broken Relationships. O conceito era simples: o museu em questão era constituído por peças privadas e variadas, doadas por anónimos, que em semelhança só tinham o facto de serem memórias de uma relação que não sobreviveu. Na altura achei imensa graça, obviamente porque ainda não tinha passado pelo fim de nenhuma relação digna desse nome. Notícia à parte, percebi finalmente a indirecta.
terça-feira, 8 de março de 2011
Prioridades
Como nasci em 85, a minha mãe achou por bem perguntar-me se me sentia parte desta geração à rasca e se por consequência ia à manifestação de dia 12. Respondi que nessa data, já estava inscrita no dia temático sobre o Avatar, organizado pelo ginásio que frequento.
(Sim, é assim mesmo que me estou a marimbar.)
Recobro
Eu fui a idiota que encadeada pela paixão, não fez só as coisas normais que toda a gente faz quando está apaixonada (encher o quarto com souvenirs relacionais, por exemplo), como coisas fora do vulgar (dar o nome do querido a um novo animal de estimação, por exemplo). Se retirar todas as fotografias do quarto ou mudar o status no Facebook são tarefas díficeis mas exequíveis já não posso chamar Zeferino a um gato que há meses que responde pelo nome X. Em questão está a minha eterna ingenuidade -assente não no facto de ter acreditar que as relações duram para sempre; porque isso é a base nuclear de qualquer pessoa que acredite no amor e não apenas nas relações que nascem por medo da solidão - mas presente no facto de ter acreditado que aquela relação podia ter durado para sempre. Daí baptizar gatinhos com o nome mais lindo-perfeito-maravilhoso que tinha o efeito auditivo correspondente ao provocado visualmente pelo fogo de artíficio, sem sequer equacionar que poderia haver um dia em que esse conjunto de sílabas me provocaria uma enxurrada lacrimal non stop. Na minha ingenuidade também nunca acreditei nesse bicho papão das relações adultas, os ódiozinhos pós-fim que permitem finalmente admitir juntos dos amigos que a ex não era curvílinea mas banhuda e porque nesta dinâmica as mulheres são muito piores, todos os exs passam de homens de sonho a vítimas de calvície e de halitose matinal. Passa a haver aquela curiosidade, não admitida e latente, que quando minimamente revelada se transforma em agressividade. Espuma-se por tudo o que tenha a ver com o outro. Eu - que nunca fui de relações sérias - achava que tudo isto era obsceno, excepto estivesse em causa cornos e afins. Não sendo o caso, votava na diplomacia. Hoje em dia, faço a nota diária para deixar de ser ingénua. Para enrijecer e aprender a viver num mundo de laços adultos que não é, nunca foi o meu, nem seria aquele que eu escolheria, mas que é o único existente. Almadiçoo-me por todas as minhas crenças antigas que me fizeram acreditar que a primeira vez que me apaixonaria, seria também a única. Almadiçoo-me por ainda não ter sido capaz de dizer uma única coisa de mal acerca dele, protegendo-me numa capa de mulher cheia de classe que não é nada mais que outro reflexo da minha disfuncionalidade.
sábado, 5 de março de 2011
Quandos os nossos pais nos ensinam as regras básicas, tipo perguntar quem é quando tocam à campainha, pretendem salvaguarda-nos de situações destas. Eu é que não aprendo.
E fui, naive, abrir a porta julgando que era a minha mãe. Permiti, assim, a entrada de dois Jeovás no prédio.
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