domingo, 23 de janeiro de 2011
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
No ginásio II
Eu desprezo o conceito de personal trainer. E desprezo-o porque a hora em que treino é uma hora também de meditação onde posso pensar à vontade nas minhas desgraças sem risco de ser interrompida. Também passo muito bem sem ter um sujeito a medir-me a largura da cintura e da anca semana sim, semana sime não teria um nem que tivesse dinheiro para o ter. Mas compreendo que haja gente que necessite desse acompanhamento, da motivação acrescida, dessa fiscalização para não acabar a pagar a quotização só para utilizar o banho turco. O que me surpreende é que alguém escolha um personal trainer que não está em forma. Há vários no meu ginásio, há um que até apelidei para mim própria de maminhas de banha porque...o nome diz tudo. Se a pessoa não consegue assegurar-se da sua própria forma como vai assegurar a de outrem? Pior. Quem vê o The Biggest Loser fica com a ideia que aquilo é tudo uma fantasia, não a parte dos concorrentes perderem uma pessoa em peso, mas o simples facto de terem personal trainers assim.
No ginásio
Oiço uma rapariga jovem - da minha idade, vá- a dizer a uma companheira de treino. "Então eu só tive a minha filha porque já tinha feito o aborto nesse ano". Naturalissíma e descontraída na sua ignorância sobre contracepção.
London Calling
Havia - acho que já não passa, admito a minha ignorância televisiva- aquele anúncio onde o Marco Paulo era confrontado com a sua versão pré-cancro. A ideia subjacente era que mudar era bom. Ainda António Variações cantado pelos Humanos convida a mudar de vida se não andarmos satisfeitos. Assim, de forma prosaica e simples, na reflexão do clássico mote "quem está mal, que se mude". Aparentemente tão positiva, a mudança pode não ser fácil. Porque estamos presos a uma realidade fictícia, a negação tornou-se a melhor amiga das horas que custam a passar. Porque mudar pode ser confundido com uma desistência e esta, esta é só para os fracos, nunca para nós. Porque mudar tem implicado um berro de "move on" e nós, por nós, nada tinha sido alterado. Mas mudar é por vezes um imperativo categórico. Eu vou mudar porque quero e porque a isso fui obrigada mas independentemente disso hoje mudo-me para ali.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Ironiazinha
Não estou apaixonada, nem deprimida. E ao contrário dos comuns mortais só assim é que consigo escrever.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Não sei se estou num estado de falsa ociosidade ou de falsa ocupação. Na realidade não tenho tempo para iniciar uma ponta de vida própria mas tenho o quarto desaparecido em material preparatório para quatro trabalhos que tenho de fazer no próximo mês e para os quais ainda não movi um dedo. Sinto-me cansada mas sinto que nada de substancial é realmente feito, apesar de durante todo o dia fazer coisas ininterruptamente. A ocupação é o que faz a vida e como tal, é como ela. Só ganha matéria com a felicidade.
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