quarta-feira, 2 de abril de 2014

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Há pouco, por mero acaso, entrei numa igreja aqui do Chiado. Entrei, pura e simplesmente, porque não me lembrava como é que ela era por dentro. O sinal da passadeira estava verde, podia atravessar para o outro lado da rua sem dificuldades e perdas de tempo adicionais, sentia-me bem disposta porque foi a primeira vez em muitos dias que saí do trabalho com luz do dia. Não querendo conceder grande espaço ao meu lado místico, a verdade é que naquelas fracções de segundos que demorei a tomar a decisão de atravessar a estrada houve algo - mais do que a luz verde para os peões indicada no semáforo - que me disse para ir, como se fosse ajudar-me a sentir-me ainda melhor, num dia em que já me sentia bem. Mal entrei na igreja tudo pareceu-me familiar. Afinal já ali tinha estado uma dúzias de vezes. Estava quase a virar costas quando reparei que a celebração que estava a acontecer no altar não era a tradicional missa das sete da tarde-, tão tradicional em tantas igrejas dos arredores - mas sim um casamento. Lá ao fundo um casal na casa dos seus setenta e poucos casava-se, sob o olhar dos filhos e filhas, genros e noras, netos crescidos e pequenos, apercebi-me pouco depois ao observar aquele agrupado de pessoas bem compostas e comovidas sentadas nas primeiras filas. Um dos netos mais pequenos foi levar as alianças, num mini-fato, todo seguro na sua honrosa missão. Dei por mim no papel de vouyer, emocionada com o evento da vida de uns estranhos, pela ternura e afecto revelados no olhar e em toda a linguagem corporal daquele casal, em como acharam que fazia sentido dar aquele passo agora apesar de não o terem dado antes. O amor é mesmo bonito. Este tipo de amor dedicado, dependente, terno, quem sabe, eterno. 

3 comentários:

6th nonsense disse...

Hum... Não te quero desiludir, mas deve ter sido celebração das bodas de prata ou ouro e não um primeiro casamento :)

RBM disse...

não, era mesmo casamento.

Pulha Garcia disse...

Bonito. Também gosto de observar de fora a felicidade dos outros. Há qualquer coisa de bom karma em desejar o bem aos outros. Uma pessoa que não tem a capacidade de ficar feliz pelos outros alguma vez vai ser feliz? All the best. (O Chiado tem bom karma por todo o lado, mas isso quem frequenta aquelas ruas sabe perfeitamente, right?)