quinta-feira, 24 de outubro de 2013

...

Hoje estava a comprar um bilhete nas máquinas do metro quando comecei a ser chateada por um tipo, com pelo menos mais vinte anos do que eu, aspecto simples mas normal, ou seja, um tipo que não aparentava ser um bêbedo, maluco ou pervertido. Ficou ali durante o tempo todo que demorei a concretizar a compra do bilhete, a fazer comentários que começaram no armado em engraçado e acabaram a roçar o obsceno. Nesse momento cortei-lhe a palavra, com as minhas próprias palavras, pronunciadas bem alto para que quem estivesse por perto se apercebesse do real porcalhão que ali estava. Um senhor que passava, perguntou-me se precisava de ajuda e o tipo respondeu primeiro, antes de mim, que só me tinha feito um elogio e eu tinha levado aquilo como se fosse uma má-criação. Não aguentei tamanha lata, chamei-o muito educadamente de "grande besta" e fui-me embora. Já na plataforma, minutos depois, lançava-me um sorriso provocatório a uns largos metros de distância. Lembrei-me daquele grande debate há uns meses atrás, do giro que são os "piropos" e de como  tanta gente, à semelhança daquele tipo hoje no metro, aproveitam estas pequenas aceitações sociais para camuflar verdadeiras formas de assédio e nós, mulheres, é que temos culpa por sermos bonitas.

3 comentários:

Anaa disse...

Toda a gente falou mal da proposta do BE em relação ao piropo, ouvi gente, na sua maioria mulheres, a dizer que era ridículo e um constrangimento à liberdade de expressão dos cidadãos. Eu cá achei uma medida bastante inteligente e útil. O piropo é uma forma de assédio sexual, pode levar a situações mais graves que ameacem a sério a segurança das "vítimas" e é, no minimo, extremamente desconfortável. É muito triste que este tipo de comportamento continue a ser socialmente aceitável, porque se o meu cérebro funciona bem o suficiente para me fazer compreender que não posso gritar obscenidades aos homens que passam, os restantes cidadãos devem ter a mesma noção do errado e, por isso, se não são capazes de seguir normas básicas de vida em sociedade deviam ser castigados.

Fuschia disse...

A partir do momento em que se intrometem no espaço pessoal de outrem..não o fazem de forma inocente, esteja mascarado de elogio ou outra coisa qualquer.

6th nonsense disse...

Quando era mais nova não era capaz de estar sozinha num café precisamente por causa destas coisas.