sexta-feira, 18 de outubro de 2013

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Creio que não deve existir um povo tão obcecado com a inveja como o português. O tema remonta a séculos passados, quando a educação não era muita e as pessoas tinham de explicar as coisas que sucediam no dia - a - dia de alguma forma. Se a criança de três anos morria e eles não sabiam as causas que conduziam à mortalidade infantil, tinha de ser "mal de inveja" da vizinha do lado que só tinha filhos feios enquanto aquela criancinha - "que Deus tenha a alma dela em descanso" - parecia um anjo. O tempo passa e a mentalidade evoluiu, embora não totalmente porque ficaram sempre raízes desses antecedentes místico-populares. Mas algures por aí deu-se uma inversão estranhamente acentuada da lógica da coisa e as pessoas que se queixam mais de serem alvo da inveja alheia são aquelas que não são merecedoras de grande inveja. Normalmente são aquelas que não têm capacidade de encaixar críticas (ou pelo contrário, aquelas a quem os barretes se enfiam na perfeição), aquelas que não concebem que existem estilos de vida, objectivos e conceitos de sucesso distintos dos seus. Não gostar de alguém, seja do carácter, seja do estilo de roupa, do que escreve num blogue ou da postura que demonstra ter não tem nada a ver com a inveja na maioria dos casos, tem a ver só com aquilo, com não gostar da pessoa, do carácter, do estilo da roupa, do que se escreve, da postura. É claro que isto deve ser muito difícil de entender para pessoas que se acham a última bolacha do pacote.

7 comentários:

Pedro disse...

É bom escrever parábolas quando encontramos alguém que as compreende :))

RBM disse...

;)

Izzie disse...

Palmas de pé!

Fuschia disse...

Dizer que é inveja é uma forma imperfeita de tentar sair de uma discussão por cima. Nessas coisas lembro-me sempre daquele livro da teoria geral da estupidez humana: "um estúpido a sério é sempre alguém que se distingue pela bravura com que desbarata as manifestações inteligentes".

menina disse...

Nunca percebi bem essa do "ser a ultima bolacha do pacote"... Eu pessoalmente nunca quero essa bolacha,está sempre partida! ;) Parabéns pelo blog,gosto muito.

Mariam disse...

Tem graça. Já não é a primeira vez que leio um post teu e tenho a sensação de que sei ao quê - a quem - te referes. Concordo. Se for o que eu estou a pensar, trata-se de um processo de clausura numa concha, onde só há espelhos a dizerem "És tu, minha rainha", uma autoestima obsessiva, ou coisa que o valha.

LUCIENE RROQUES disse...

Uma excelente semana para você.
Um grande abraço!