quarta-feira, 11 de setembro de 2013

...

Há um fenómeno que se tem multiplicado nos últimos tempos, um tema que se repete em textos em blogs, crónicas e revistas, de autoria feminina. Ao tema, à falta de melhor inspiração, vamos chamá-lo de "o homem nabo". "O homem nabo" é aquele que, chamado a participar nas tarefas domésticas normais no quotidiano de um casal sozinho ou nas aventuras da paternalidade, revela muita boa vontade mas só faz asneiras. Não sabe fazer um puré de batata, tirar uma mancha de um vidro, fazer o puxinho no cabelo da filhota e tudo isto enerva, desespera, diverte as companheiras. A merda é esta, uma igualdade cuspida pela condescendência idiota com que se assume que um homem, por ser homem, não sabe fazer nada. Falso, um homem que não sabe fazer trabalhos domésticos é porque não foi educado e ensinado a fazê-los, tal como eu não fui ensinada a mudar um pneu, não porque sou mulher mas porque nunca calhou. Fazer destes "homens nabos" uma caricatura apenas desenvolve neles a ideia que não são úteis e o trabalho irá sempre recair na mulher espertalhona, os filhos crescerão perante um modelo familiar antiquado, onde a mãe pede ao pai para ficar na sala enquanto ela faz a próxima refeição para evitar a explosão da cozinha que pode ocorrer com a mera proximidade dele. E ele, lá ficará, a ver as notícias à espera do jantar, iniciando assim um ciclo vicioso onde se cria um novo "nabo" ou uma nova "sacrificada". Cresci numa casa onde o meu pai, se não tinha jeito para me escolher a roupa, cozinhava quase todas as minhas refeições, dava-me banho, ajudava-me a fazer os tpc e a adormecer. E se tivesse que me escolher a roupa, não saía de casa nua, mal agasalhada ou de cabelo no ar. Isto foi no fim da década de 80, princípio de 90. Hoje em 2013, vivo com um homem que também é assim, que faz umas coisas bem e outras mal mas que faz tudo o que for necessário. Surpreenda-se, tal como eu, que cozinho bem mas sou péssima a passar roupa a ferro. A minha experiência é diferente do relatado, tão diferente que faz-me confusão que existam e persistam em casais normais. Só achava isso concebível em casais poucos educados, com um homem bruto que acha que manda na mulher. Por fim, acho lamentável que sejam tantas as mulheres que fazem este papel meio parvo, de serem coniventes com ideias ultrapassadas, de reduzirem o que é uma mulher e o que é um homem.

2 comentários:

Pedro disse...

Talvez esteja enganado, mas provavelmente é a forma de se enaltecerem como super-mulheres. E na verdade, independentemente do género, cada qual faz melhor umas coisas que outras..

(agora não percebo se é a sociedade que faz assim as mulheres terem de ser super-mulheres ou se a questão é mais complicada que isso)

Izzie disse...

Lá em casa não há nabos, ambos sabemos fazer de tudo. É um descanso. Claro que há coisas que ele faz melhor e pior, tal como eu, mas aí ou se ensina ou se reparte as tarefas consoante as especialidades ;)
A única coisa que ele não sabe mesmo fazer, e não há meio de aprender, é pregar um botão ou fazer qualquer coisa de costura. Confesso que prefiro pregar eu o botão, que levo o mesmo tempo que ele a enfiar a linha na agulha... É uma questão de hábito e educação, lá está, e felizmente há menos botões para pregar que loiça para lavar ou refeições para preparar :P