quarta-feira, 7 de agosto de 2013

...

Quando voltamos ao trabalho, após o maior período de férias que tivemos e vamos ter no ano inteiro, há uma certa desconexão com a realidade. Só passaram algumas semanas, mas olhar para o meu monitor é como olhar para uma cara de um conhecido perdido há anos, folhear a agenda é recordar pequenas histórias que julgava terminadas. As férias, ou melhor a distância em todas as acepções, ajudam-nos a relativizar todos aqueles assuntos que normalmente nos remetem para níveis de stress avultados. Os telefonemas ficaram por atender e os emails por abrir, toda a gente sobreviveu e até me custa a crer que às vezes, já na cama, dou por mim de tablet na mão obcecada a responder a clientes, como se estivesse na iminência de apocalipse. Dei por mim a sentir-me um pouco idiota com a conclusão a que cheguei - não é o trabalho que me mete stress, sou eu que deixo que ele me meta. E isto porque também dei por mim a não ter quase vida além dos processos e dos problemas alheios que se transformam em meus, deixei de ir ao ginásio e de ter vontade de sair, alimentei o cansaço com noites mal dormidas pela ansiedade, num ciclo absolutamente viciado. Quando se volta, há um organismo restabelecido, a ideia de um estilo de vida que tem uma qualidade superior, há um optimismo que quero acreditar que não são meros efeitos retardados do ócio, há vontade de fazer continuar o bem-estar e caraças, até o trabalho se torna mais suportável assim.

Sem comentários: