segunda-feira, 17 de junho de 2013

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Num dia em que ando em modo zombie, vou a casa almoçar e deparo-me com a evidência que a solução para por o meu sono em dia seria transformar-me em gato. Queria tanto, a sério. O sono encolhe-me bastante a mente, todas as capacidades e características parecem escorrer vertiginosamente para o mesmo ralo de cansaço. Perspicácia? Sentido de humor? Tudo que requeira mais do que respostas automatizadas e monossílabos têm que lamentavelmente ficar em espera, adiado para data incerta. De vez em quando encontro pessoas que dizem ser como o Professor Marcelo, que dormem quatro horas por noite e que, mesmo assim, na hora antes de ir para a cama - quando o suposto é estarem a babar-se involuntariamente no sofá - ainda estão a ler artigos complexos sobre economia. Suspeito, mas mesmo assim esforço-me por acreditar nisto, como uma criança demasiado crescida que se agarra com unhas e dentes à existência do Pai Natal, na aspiração de um dia conseguir ser assim, de não ficar acéfala devido à falta de horas dormidas, de dias maiores que dessem para trabalhar, ler, cortar as unhas aos gatos, ir ver as montras, fazer duas máquinas de roupa, ver um filme, escrever um pouco, namorar, mudar a merda daquela lâmpada que está fundida há uma eternidade, de ser invencível. Vá, menos limitada do que sou.

1 comentário:

Fuschia disse...

Eu acho que essa gente que dorme 4 horas deve estar a cozer neurónios mas não dá conta. Adorava que o dia esticasse, à falta de melhor, vou-me começando a mentalizar que tenho de aprender a definir prioridades..