sábado, 8 de junho de 2013

...

Antes o estado típico da sexta feira à noite envolvia entusiasmo, antecipação e alegria. Antes a roupa típica de sexta feira à noite era algo bonito, minimamente pensado e impreterivelmente cool. Antes o jantar de sexta feira à noite era escolhido num restaurante qualquer, regado com um vinho de boa qualidade a convidar o despertar de conversas interessantes até a noite se transformar em sábado. Hoje é sexta feira, o antes parece-me ser há uma eternidade atrás. Não sei o que se passou em tão pouco tempo comigo, não sei de onde apareceu toda esta letargia que agora está mais do que instalada, este sentimento contínuo de cansaço e saturação que me leva hoje, sexta-feira anterior aos santos, estar enfiada na cama com o computador depois de ter comido mal e porcamente porque a preguiça não deu para mais. O problema, sublinhe-se, não é de hoje. Hoje só é ostensivo e ofensivo. O problema está aqui há meses, de como esta falta de paciência fez com que me desleixasse com as minhas coisas, com a minha casa semi-decorada "porque tenho lá tempo para pensar em cores e padrões e quadros, desde que haja um sofá confortável e MEO", com o meu corpo mais pesado e flácido, com as minhas relações porque não me sinto capaz de dar o que quer que seja. A verdade é que me sinto descaracterizada, estagnada, esmagada pelo próprio peso da minhas omissões. Enganada pelos dias que se esgotam no percurso entre a minha casa e o meu trabalho, sem que sobre um minuto para que eu pensar no que raio ando realmente a fazer.

4 comentários:

Isa disse...

Vai daqui um grande beijo, R, entendo-te perfeitamente. E, putz, o texto 'tá lindo...

Mariam disse...

Não estarás a "nidificar"? A mudar o percurso para ficar mais no ninho, desinteressada do que (já não) te chama para a rua por causa disso?
Não é necessariamente mau, é uma fase como qualquer outra :-)
Ânimo, tudo faz parte desta viagem!

noiseformind disse...

My dear... é o primeiro post em que a apanho not-so-high em relação aos caminhos da vida.

Como se dizia a certa altura no fim do Matrix Reloaded "a solução é a escolha". Fazemos escolhas, colhemos resultados dos contextos em que elas nos inserem e a vida vai seguindo.

Não percebo é porque é que estar "solteira" ou "junta" faça qualquer diferença em relação a uma Sexta-feira à noite. Há sítios onde gostamos de ir e ambientes que gostamos de frequentar, nada disso muda com o estado civil, não há um pacote de gostos e avessos que venha com a vida em comum, ou não deveria haver.

Ainda este fds numa saída ao Club10 aqui pelo londrino feudo reparei que eu e as minhas companheiras não éramos de maneira nenhuma os únicos casais comprometidos in da club, apesar de criarmos sempre alguma confusão por sermos 4 e não 2. Toda a gente se divertiu, colunas foram viradas, cocktails foram sorvidos e a animação foi tão geral como nos nossos tempos de descomprometimento...

O RICS volta este próximo Outubro a fazer cursos de certificação de Contract Managers, portanto esteja à vontade em colocar esse objectivo na sua "to do list", afinal quer as 12.000 libras de salário ou não?

Há algo em nós que funciona terrivelmente contra nós, que é a ideia de auto-certificação. Tomámos decisões e depois auto-justificamo-nos com elas para suportarmos situações que nos negativizam. Se uma decisão leva a ficarmos mais inertes, então há que ajustá-la até ser uma boa decisão. Nenhuma acção é boa ou má por si mesma, as nossas capacidades em integrar essas decisões na nossa matriz de melhorias é que as fazem boas ou más em retrospetiva.

No limite a pergunta a esta pergunta tem sempre de ser "um pouco mais": Sou ou não a pessoa que me propus ser quando me fiz ao caminho da vida?

RBM disse...

Obrigada Noiseformind por mais um comentário que me obriga a pensar um pouco. Hoje não estou com grande capacidade para te responder devido a um surto alérgico que me obrigou a drunfar-me em histamínicos. Contudo, deixa-me já que te adiante que o teu comentário parte de uma premissa errada, que é que este meu estado de espírito se deve ao facto de estar numa relação. Aliás, quase que me sinto um pouco sei lá o quê por esse ser o primeiro pensamento que te tenha ocorrido, como se eu tivesse uma grande costela do antigamente e sentisse uma obrigação de me portar "decentemente" agora que sou uma mulher comprometida. Odeio pensar que passo essa ideia. Também saimos para os clubes e fazemos noites de drugs, sex and rock roll,não é essa a questão, a questão está na predisposição e na falta de vontade que tenho para a maioria das coisas da minha vida - o desânimo do dia-a-dia - que só se tornou mais ostensivo quando até nem sair para uns copos apetece. É isso.