quarta-feira, 15 de maio de 2013

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Sabes que cresceste e tornaste-te numa jovem mulher com bom gosto quando ao ver as repetições do Sexo e a Cidade na Fox Life, não consegues fingir que não reparas na piroseira que aquilo é. Não, não tem nada a ver com o facto de a série já ter uns quinze anos em cima e do facto de como era spicy ter quatro tipas modernas a falar descaradamente de coisas que supostamente eram tabus e que agora já não são. O que é uma treta, porque desde que comecei a saber ler que sei que o sexo oral, masturbação com vibradores em forma de coelhinho e pilas pequenas são há muito temas que preocupam qualquer leitora da revista Maria. O que safa o Sexo e a Cidade são as personagens a tomarem longos brunchs em Nova Iorque - quando sabíamos lá o que era um brunch - vestidas de Balenciaga e é só isso que torna aquelas quatro personagens mais distintas para a nossa memória do que um bando de sopeiras sentadas numa tasca de Vila Nova de Gaia, a comer pastéis de bacalhau com um cafézinho, enfiadas nas suas leggings da stradivarius, resmungonas com o facto de não se virem com o marido. Naquelas personagens não consigo encontrar nada de profundo, nem nas grandes questões sexuais que tornam-se meio anedóticas quando uma pessoa adquire experiência nessa área, e muito menos nas emocionais, onde elas todas parecem umas parvas  agarradas a clichés que desculpem, só envergonham em vez de representarem convenientemente uma mulher evoluída. Tornou-se meio óbvio porque raio é que todas elas aos trinta e muitos ainda estavam solteiras.

4 comentários:

Fuschia disse...

Mesmo! No outro dia estava a ver o episódio em que a Carrie acaba com o Big pela primeira vez e pensei "porra, por isto???"

noiseformind disse...

O Sexo e a Cidade nem sequer era representativa da realidade de Nova Iorque. Era uma interpretação folk de girl-in-town que servia para distribuição à América puritana que ainda andava por lá. O sexo era ridículo e absurdo, e a date scene era demasiado estável para ser verdadeiramente nova-iorquina. Mas pronto... servia... à falta de melhor...

Izzie disse...

Engraçado, aqui há tempos vi uma repetição e pensei quase o mesmo ;)

Mak, o Mau disse...

Há coisas que envelhecem muito mal, especialmente em ficção que se prende demasiado em estereótipos.

Só que, quando crias fãs devotos, eles comem tudo e mais alguma coisa que saia com o rótulo. Só assim se explicam os dois filmes feitos a partir da série, quando esta já estava para lá de Bagdad.