terça-feira, 16 de abril de 2013

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Há algum tempo, não tanto tempo como gostaria, seguia um blogue que chegou ao seu fim por estes dias. Só consigo superficialmente entender os ódios nascidos através destes meios porque entendo as afinidades e   surpreenda-se, os afectos que também aqui se criam. Era o caso da Rita, que descrevia os seus episódios de rádio com boa disposição, lucidez, força e generosidade. É engraçado isto e não sei explicar como quereria. Ela não era uma "coitadinha" mas também não vendeu a imagem de heroína, fugiu às posturas  que habitualmente vejo em pessoas em situações muito extremas e que aceito como perfeitamente justificáveis dadas as circunstâncias. Esta rapariga não relativizou o cancro que tinha mas não permitiu que ele consumisse a sua  identidade. E foi essa identidade que fez com que eu gostasse do que ela escrevia e que eu gostasse dela. Calhou ela falar de um cancro galopante e fatal mas teria tido esta empatia se ela tivesse tido um blogue exclusivamente dedicado ao sashimi, cinema, viagens ou cães pela atitude balsâmica que ela deixava passar, de sintonia com ela própria e com o mundo. A Rita não resistiu ao cancro e morreu. Nunca a conheci, nem sequer contactei além de uns comentários trocados aqui e lá, mas hoje...como é que hoje não poderia ter ficado assim tão triste a saber aquela notícia.

1 comentário:

Limited Edition disse...

não conhecia este blogue. sigo um blogue em que o pai da autora morreu recentemente de cancro e outro em que o filho da autora foi diagnosticado, mas nunca me tinha deparado com um em que foi o próprio autor a vítima mortal desta doença. não deixa de ser curioso como determinados laços se criam num espaço tão etéreo e efémero como a blogosfera, em que alguém perde um familiar ou se perde a própria fonte do blogue e sentimos um vazio como se fosse um dos nossos a partir.