quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

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Não muito isoladamente vou tendo conhecimento de pessoas de idade igual ou próxima da minha que, em empregos precários, mal-pagos ou no desemprego mesmo não têm grandes pudores em viver à custa dos pais. Melhor, de uma forma aparente e para parte de quem os rodeia há grandes problemas e revolta pela falta de oportunidades - que em alguns casos, não é nada resultante da crise e do mercado - mas no quentinho das relações familiares acomodam-se a essa situação. Vejo estas pessoas sem pudores a arranjarem casas que não são eles que pagam, a endividarem terceiros por tecnologia que não precisam, como se o mundo fosse acabar se não tivessem um plasma no quarto e um iphone para usar o instagram. Vejo também aqueles pais,  numa completa deturpação dos deveres parentais, a renegociar prestações com as Cetelem, Credibom e restantes abutres dos créditos fáceis, a sustentarem os hábitos dos filhos e depois dos netos que não tardam em vir, porque não vão custar a criar a quem os fez. Tenho pena daqueles pais, que ficam entalados numa existência paralela que é a vida dos filhos mas também tenho pena daqueles filhos, que nunca saberão o gosto das vitórias pessoais, que nunca apreciarão o pouco que se torna muito por conquistadas. Tenho pena mas não tenho assim tanta no fundo, não sei até que ponto cada um não teve o que mereceu em consequência das suas acções, uns a eterna infantilidade, outros a eterna responsabilização, sempre a infinita estupidez.

3 comentários:

Limited Edition disse...

Deixas-me fazer um repost do que escreveste aqui? Conheço umas pessoas assim e nunca me tinha conseguido expressar tão bem. Com link para o teu blogue, claro! Obrigada :)

RBM disse...

claro que sim :)

Limited Edition disse...

já está, obrigada!