sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

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Olhem a felicidade é uma ingrata, porque vicia e torna-nos exigente. As coisas têm corrido tão bem que hoje dei por mim a ficar amuada por não conseguir fechar um negócio da china no OLX,  umas cadeiras do Ikea que queria comprar para a minha casa. Mas a felicidade é também ingrata porque nos tira uma certa dose de racionalidade, estou feliz porquê, afinal? Ou se calhar estou feliz, porque já estive muito infeliz e como agora não estou a nadar de bruços na merda acho que isto é a felicidade, e afinal a felicidade é algo muito diferente, que é atingida depois de lavarmos a alma com ayahuasca ou que nos vem assim arrastada por uma brisa,  num montezinho tibetano, após anos de celibato. Quero lá saber, estou bem na minha felicidade de encontrar as cadeiras baratas (mas certas) do Ikea, aquelas que ficam bem com a mesa que rodeio com as pessoas de quem gosto. Sempre achei que o amor e estar apaixonada era a base, o pressuposto único da minha felicidade, mas como em tantas outras vezes  - como todas as em que jogo no euromilhões, por exemplo - estava errada. Estar apaixonada só resulta em felicidade quando nos apaixonamos por alguém que sabemos que merece, que merece o sentimento, o tempo, que merece tudo. Até a partilha de umas contas ao final do mês e, surpreenda-se, de um gato.

1 comentário:

Anita disse...

A felicidade é tudo isso junto! E quero crer que "não estar a nadar de bruços na merda" também ajuda bastante :)