quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

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Desculpo-me com o tempo mas a verdadeira culpada é a vontade. Houvesse a última, haveria o primeiro mas assim fico-me pelo nada. Os dias passam e estão quase a completar mais um ano, um agridoce, marcado por mortes e perdas de outras naturezas que deixaram marcas. E contudo existem ganhos no saldo que faço deste ano: encaminhei a minha carreira, fiz mais amigos do que em não sei quantos anos de vida, saí de casa, encontrei alguém que é para lá de espectacular. Mas a realidade é que muitas vezes, ainda ontem, ainda há pouco, dei por mim a sentir falta daqueles bocados que ficaram perdidos algures nestes meses. Irritei-me comigo própria, com esta cretinice do ser humano, que pura e simplesmente não pode dar graças a deus por todas estas graças às quais se cumulam todas as outras (não ter tido um AVC, não ter sido atropelada por um autocarro da Carris, não ter  ter ficado careca ou ganho vinte quilos, etc etc etc) e quase que se resigna na ponta de miserabilidade que ainda sobra. Bem, quase. Agora, a 19 dias do fim do ano (  e isto pressupondo que o fim do mundo não acontece antes) eu finalmente pronuncio com requintes marcados o "quase". E faz parte da "não resignação" isto, perceber que tem de haver tempo para forçar a vontade e escrever.

3 comentários:

Isa disse...

nós por cá tinhamos saudades tuas :)
parabéns por todas as conquistas.
Bjo, santos natais e um bom 2013 ;)

Mariam disse...

Não podemos fazer da nossa vida uma regra contabilística de perdas e ganhos e fechar as feridas com outros abraços, embora esses ajudem às outras. O que ficou para trás até pode ajudar à tua construção, mas também à tua desintegração nesses espaços em que as dores regressam. De qualquer forma, e em última análise, o sofrimento é sempre inútil - isto ensinou-me a minha mãe.

Esther disse...

"e quase que se resigna na ponta de miserabilidade que ainda sobra"

o que quiseste dizer com isto?