terça-feira, 9 de outubro de 2012

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Uma pessoa está mais para o lado dos trinta do que dos vinte, uma pessoa tem responsabilidades de adulto que passam por receber contas em seu nome e por acarretar um peso  avassalador de responsabilidades diversas em cima das costas, que vão formando progressivamente uma ligeira corcunda. Não sou excepção, por mais que brinque aos adolescentes nos meus all stars esburacados ao fim-de-semana, por mais olhos torcidos com que fique às sextas pela pinga (que no dia seguinte posso dormir até às três da tarde e cumprir assim um mínimo de sono para recompor um corpo que já não se recompõe com facilidade). As tais responsabilidades diversas, uns cabelinhos brancos disfarçados com um glossing de vez em quando, uma flacidez que se agrava a todos os ligeiros descuidos e /ou excessos e  - gosto de acreditar - alguma maturidade e lições de vida tiradas a ferro, lembram-me da idade que efectivamente tenho. Mas depois chega o dia em que a minha mãe me pergunta "mas então como é, namoras com ele?" e eu coro, sem vontade de responder, sem achar que devo responder mas sentindo sei lá porquê essa obrigação. Tal e qual como quando tinha quinze anos e apagava as mensagens fofinhas do telemóvel, não fosse o diabo tecê-las e ela descobrir a coisa mais aberrante do mundo, que a menina dela andava a dar beijinhos na boca e então caísse o carmo e a trindade e fosse o fim deste mundo e do outro.

3 comentários:

Kitty * disse...

Há coisas que nunca mudam, por muitos anos que passem.

Márcia disse...

Ah, é verdade! Há situações que nunca mudam, apesar da idade para minha mãe ainda sou uma miúda de dezesseis anos.E o Gaspar como está?

RBM disse...

infelizmente piorou márcia :(