quinta-feira, 13 de setembro de 2012

...

Passei grande parte da manhã, desde as 9 horas até há pouco, num tribunal. Fui para um julgamento que adivinhava que podia não ser realizado mas as formalidades impuseram que tivesse de lá ir para ser chamada e dizer presente. Já estava  em modo agridoce, uma boa notícia profissional logo a abrir o dia veio impor que atrase um pouco os momentos de isolamento e sono dos quais tanto estou precisada. Os ambientes nas secções dos tribunais deprimem-me ligeiramente, os funcionários não têm pudor em discutir à nossa frente as coisas mais triviais, gritadas de secretária para secretária, outros encaram o monitor com uma expressão intrigada e boca semi-aberta, pasmos com este instrumento do demónio, enquanto teclam só com um dedo. Hoje tinham a rádio ligada, passava os "Contentores" dos Xutos, simpática ironia musical, não fossemos todos nós a carga. Quando cheguei lá, disseram-me com aquela ligeireza de quem trabalha na justiça há muito tempo e de quem já viu tudo, que tinham de ir ver se "havia juiz para fazer o julgamento". E foi mesmo isso que aconteceu, esperei eu, a outra advogada, as testemunhas (que coitadas, são as que perdem o real tempo, eu e a outra ainda somos pagas para o perder) aquelas horas em que a funcionária andou pelo edifício à procura de um magistrado disponível. Eu senti-me tentada a sugerir que fossem buscar a senhora da cafetaria, que tem tanto jeito para dispor os bolos na vitrine, é que a diferença naquela situação entre ela e um juiz que nunca teve contacto com aquele processo não seria muita, creio.

1 comentário:

Ricardo disse...

Ui, gente que tecla só com um dedo...