domingo, 16 de setembro de 2012

...

Cheguei a casa há coisa de vinte minutos, mais exausta do que bêbeda, mais deprimida do que eufórica. Sentei-me no sofá, com umas tostas manhosas de trigo enquanto esperava que ele tomasse um banho rápido. Pus-me a mudar de canal, passei os olhos pelas televendas, aqueles anúncios magníficos com sprays contra a calvície e pílulas de algas e beringela para a obesidade, cremes de caracol e aspiradores prodigiosos que limpam o chão, tapetes, edredões e cortinados. Senti-me transportada, a estas horas, até um estado de credulidade onde acredito que tudo possa ser possível. Acabei por parar contudo, e antes que começasse meio levada por aquele estado de credulidade a ligar para aqueles números de valor acrescentados, num dos canais de cinema onde estava a dar o "Hannah and her sisters". Estava no fim, na parte em que a personagem do Woody Allen beijava a sua nova mulher, uma das irmãs da tal Hannah, e dizia a seguida frase "o coração é um músculo de recuperação rápida". No sofá, mais exausta do que bêbeda, mais deprimida do que eufórica, com as tostinhas de trigo, com ele no meu duche, quis tanto acreditar na veracidade que creio ainda ser duvidosa daquela afirmação. Quis tanto que até me esqueci de voltar às televendas e apaguei a televisão.

2 comentários:

Ana Carvalho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Patife disse...

Estranhamente reconfortante. ;)