quinta-feira, 9 de agosto de 2012

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A minha turma do oitavo ano foi uma das turmas escolhidas para ser piloto do então projecto de Educação Sexual. A ideia era cada um dos professores das disciplinas normais darem uma parcela do programa. Aquilo descambou. Ninguém respeitou quando o professor de geografia que parecia um padre  falou de coito interrompido e quando na aula de Inglês tivemos de responder a um inquérito inspiramo - nos no Diário da revista Maria para apresentar as respostas mais originais. A directora de turma disse, no seguimento desse episódio, que devíamos ser doentes e os nossos encarregados de educação foram chamados para uma reunião de pais extraordinária onde viram os ditos inquéritos. No dia seguinte a essa reunião, na aula das 8h30 tudo esteve especialmente calado e bem-comportado. A verdade é que a vontade de gozarmos com aquele assunto era devida a falta de naturalidade ou à desesperante tentativa de abordar aquilo de uma forma cool dos nossos professores, que se viram com aquela tarefa ingrata. Imagino que para muitos, eles nos seus casacos de bombazine e elas com o conjunto saia-casaco dos anos oitenta, se calhar devia ser difícil falar de sexo aos próprios filhos quanto mais aos filhos dos outros. Mas outra verdade é que também nós não queríamos falar de sexo com aquelas pessoas. O sexo é algo totalmente normal mas desculpem, não é um tema de conversa para todas as ocasiões e para se ter com toda a gente. Apercebi-me disto não na altura do ensino básico, aquando aquelas maravilhosas lições, apercebi-me quando acompanhei um cliente meu num interrogatório e quando apesar de todo o contexto que encaminhou a conversa até ali, só tinha vontade de me enfiar num buraco após  ele repetir para aí umas dez vezes "sabe, as penetrações não têm a mesma profundidade aos sessenta e aos vinte anos, e não se tem menos prazer por isso. De qualquer forma se o acto era doloroso ela devia treinar antes com objectos, para alargar a abertura da vagina, que como sabemos é elástica". Dez vezes, para aí.

3 comentários:

Izzie disse...

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Obrigada, acabaste de validar a opção que tomei, de não persistir na advocacia. Ele há dias, vendo a qualidad€ de vida de alguns antigos colegas, em que me interrogava, mas acabei de ter a certeza :D Eu não dava para isso. Para estar ao lado de um tipo que dissesse isso, fosse qual fosse o contexto.

Ricardo disse...

Sabes que há um bonito diálogo no 50 Sombras de Gray (vamos ignorar porque é que eu sei isto, chamemos-lhe ossos do ofício...) em que o senhor diz para a senhora algo do género "não te preocupes... tu também expandes". Lá está, a autora do livro deve ter sido tua colega.

bee disse...

eu tive um chefe que teimava em explicar-me detalhadamente os progressos e frustrações dele e da mulher para ter filhos, enquanto me dava dicas sobre as melhores posições, as melhores alturas do mês ou do dia, etc.
ninguém merece!...