quarta-feira, 29 de agosto de 2012

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Ontem à noite estava muito bem na minha sala, quando assusto-me com um clarão e com um estrondo. Não era uma trovoada mas sim a caixa de electricidade, colocada mesmo ao lado da  porta da rua, que decidiu rebentar. Fiquei automaticamente às escuras e quando fui à janela levei logo com uma simpática fumaça na cara. As pessoas (eu) estavam com medo. Chamei os bombeiros que não fizeram nada mais do que vedar a área e bloquear a estrada com  seu camião durante largas horas. Já não consegui dormir, só de imaginar a minha querida casinha a ser devorada por línguas perversas e abusadas de fogo, de ser obrigada a sair com a roupa que tinha no corpo e com os bens pessoais que me fossem mais queridos a altas horas, sem sítio para onde ir, sem ninguém a quem recorrer. Gosto muito de criar filmes, como podem ver. Contudo, a minha estupenda imaginação está aquém das maravilhas da realidade. No meio da insónia pus-me à janela a observar as operações, a comer um iogurte antes que fosse parar ao lixo, destino já antecipado para toda a minha comida. A certo ponto, passa um grupo de estrangeiras que pede aos bombeiros se podem tirar fotos com os seus capacetes postos. E eles, aceitaram, que já se sabe que somos um povo que não falta com nada a quem nos visita.

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