terça-feira, 7 de agosto de 2012

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À bout de souffle- Jean  - Luc Godard

Sábado estava numa conhecida discoteca de Lisboa, um daqueles sítios quase caídos no esquecimento até que as suas paredes espelhadas passaram de pirosas a retro com a renovação do Cais do Sodré, algures pelo ano passado. Agora o sítio está cheio, gente armada aos cucos nos seus óculos de massa, cabelos à tigela e red lipstick. Mas afinal quem sou para criticar que também andava lá metida, não é verdade? Não me estava a sentir bem, acontece-me com muita frequência, começar uma noite em modo eufórico e a meio quebrar perante uma melancolia que surge não sei de onde. Olhar em volta, mesmo para os rostos familiares que me acompanham e não ver nada que me leve a querer estar ali. Estava nesse ponto, com uma garrafa de água na mão, quando observei a tela gigante onde passava o filme. Pensei que sempre quis ter o cabelo curto como o dela, mas infelizmente sou e sempre serei uma rapariga de cabelos compridos - desculpo com o traços da cara e com a rebeldia dos cabelos um feitio medricas e tradicional. Depois veio esta cena e tive saudades de dar beijos no carro, quando o semáforo fechava, até ao sinal ficar verde e os carros atrás apitarem numa intolerância e pressa que só podiam ser desconhecedoras de uma paixão daquelas, na autoestrada nas viagens grandes com a justificação, dava eu para mim mesma, que seria bem melhor estampar-nos assim do que a mandar uma sms ou a tentar apanhar uma outra estação de rádio.

2 comentários:

Diana disse...

és exactamente como eu...muitas vezes quando vou a discotecas tenho desses momentos em que nada me faz querer estar ali e acabo por ver o filme que passa na tv...

Quanto ao beijo no carro...espero que venhas a dar muitos mais,será bom sinal! :)

Diana

Amandine disse...

primeira vez que comento no blogue, mas como me revi a 100% neste post não pude deixar de comentar.
Continua a exprimir-te assim, é verdadeiramente genuíno e inspirador
beijos