segunda-feira, 27 de agosto de 2012

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"Cheira bem, cheira a Lisboa" é das maiores mentiras que a cultura popular nos pega. Custa-me admitir isto, que aqui nasci, cresci e sempre vivi. Ontem decidi fazer uma caminhada à tarde desde a minha casa no Bairro Alto até ao Parque das Nações. Coisa para demorar uma hora e cinquenta e cinco minutos de acordo com o Google Maps. Estou preparada para enfrentar maus cheiros no Bairro, pelas razões óbvias, mas felizmente os serviços da Câmara todas as manhãs varrem aquelas ruas com jactos vigorosos de água, dos quais nem os pombos se safam. Assim, o mal não fica resolvido mas fica bastante minimizado.  Não estava preparada, contudo, para o que vi durante aquele passeio. Ao longo da Avenida Infante Dom Henrique, especialmente a partir do Lux, o cenário degrada-se por completo. A desolação típica de uma zona industrial é tristemente completada por um ambiente de abandono, que não se devia exclusivamente ao facto de ser Domingo. Os passeios estão cheios de porcaria incrustada e o fedor que resulta de não sei quanto tempo de exposição ao tempo de tal porcaria é algo de indescritível. A certo ponto vi o que restava de um animal morto, em que só se via as patas traseiras, sendo que metade do tronco e aquilo que seria a parte da frente do bicho tinha sido já devorada por uma multidão de insectos que ali se amontoavam. Não sei como não vomitei automaticamente o brunch. Bem sei que este trajecto não terá propriamente um valor turístico, aliás cruzei-me com pouquíssima gente a pé, mas o que pensar de uma capital europeia que só se preocupa com a salubridade e higiene nas zonas movimentadas? A comparação que me ocorre é com aquelas putas que não tomam banho e depois metem pó de arroz para disfarçar o sujo da cara.

1 comentário:

Fuschia disse...

O mau cheiro é só uma consequência dos maus hábitos. Tenho desgosto de chegar a canto qualquer virado para a praia e estar cheio de garrafas. Um pouco mais à frente, papéis, plásticos, rolhas, um nojo, nojo. No outro dia fui à Ericeira e numa praia cheia de gente, havia imenso lixo no inicio do areal. As pessoas são porcas e as câmaras não ligam. E o lixo não desaparece por obra e graça do Espírito Santo.