segunda-feira, 2 de julho de 2012

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O estado mais livre é aquele de quem não tem nada a perder. Primeiro há o período de desespero do "ai caraças que fiquei sem nada!", do monco murcho e os olhos encharcados durante semanas devidos a uma angústia que nos enche e que não sabemos muito bem como se encaixa com um sentimento de vazio infindável. Mas a verdade é que se encaixa e faz-nos sentir como vítimas da pior doença do mundo, qualquer coisa estilo  "tumor cerebral plus lepra plus ébola". Mas depois, os dias passam e percebemos que as nossas indefinições convolaram-se em opções. As coisas acontecem como consequências das nossas acções ou de golpadas aleatórias da vida, modificam-se apesar da nossa dúvida, da nossa tristeza, vá-se lá entender, da nossa resistência. Uma manhã acordamos e sabemos que não era aquilo que tinhamos sonhado há uns tempos atrás para nós e que sim, vai demorar algum tempo até se apagar o sentimento de auto- traição que os planos não concretizados trazem, mas nessa manhã acordamos e finalmente sentimos que há uma razão para o fazer.

1 comentário:

Anita Garcia disse...

Ainda à espera dessa "manhã"...