sábado, 16 de junho de 2012

Dores de crescimento

- Acordei a meio da manhã.
- Levantei-me para fazer café e torradas;
- Voltei para a cama com tudo num tabuleiro;
- Comi enquanto vi televisão.
- Continuei a ver televisão.
- Fui tomar banho e vestir-me.
- Almocei.
- Sai.
- A Mango e a Aldo estão em saldos.
- Não comprei nada.
- Escolhi coisas para a casa.
- Vim mais feliz do que se tivesse comprado os sapatinhos que namorei uns bons meses e hoje estavam 20€ mais baratos.
- Fui visitar um novo ginásio perto da casa e gostei muito.
- Fui ao antigo ginásio e antes de treinar tratei de acabar com o meu contrato para puder mudar para o outro.
- Treinei, tomei banho, fiz uma quiche num instante e escrevo umas tretas enquanto aquilo está no forno (para disfarçar a preocupação do petisco não estar aparentemente a crescer o normal...).

 Durante a organização do meu dia que em grande parte foi dedicado à organização da minha nova vida, pensei  nele algumas vezes, sempre com um sensação demasiado má. Pressentimentos místicos que estragam momentos de um dia que tinha tudo para correr bem, memórias sufocantes que trazem uma nova maré cheia de desilusão. Pensar nele não devia ser uma hipótese numa altura em que devia pensar só em mim e isso fode-me a cabeça porque adorava ser paradoxalmente um tanto ou quanto mais embrutecida e mais racional. Mas por outro lado,  cada vez que faço isso - pensar nele e em tudo o que se passou-   há mais um pedaço de estima  e respeito que apodrece. E sendo assim, não me importo que o fantasma dele me continue a estragar consecutivamente os dias, na expectativa de que ele, fantasma e matéria, não tenha qualquer espaço  nesta fase que fui capaz de iniciar sozinha, depois de ter sido deixado sozinha e na merda. Com certas pessoas o amor e a verdade não libertam, humilham. Para essas pessoas há que usar e abusar do ressentimento e, finalmente, seguir em frente.

3 comentários:

Phyxsius disse...

Mas por outro lado, cada vez que faço isso -pensar nele e em tudo o que se passou- há mais um pedaço de estima e respeito que apodrece.

Não teria dito melhor (juntamente com o resto do texto), apenas mudaria o género.

Anónimo disse...

Gostei deste post, apesar de dizer que apenas escreveu «umas tretas». Não me pareceram tretas.

Anónimo disse...

" memórias sufocantes que trazem uma nova maré cheia de desilusão"
Pois.