domingo, 10 de junho de 2012

A alegoria do autocarro

Acontece-me com alguma frequência, muito maior do que desejaria e acredito que se verifique com as outras pessoas, a seguinte situação. Estou numa paragem de autocarro à espera durante um período de tempo exagerado e que nada tem a ver com o indicado naquelas plaquinhas luminosas. Fico ali meia hora, a ver aqueles oito minutos que piscam e ferem os olhos a arrastarem-se naquela meia hora. O tempo é diferente para as pessoas felizes, para as pessoas ocupadas e agora também sei que o é para as pessoas da Carris.  A maioria das vezes em que fico de plantão à espera do autocarro, em que me farto de ler, de ver todos os outros a entrarem nos seus menos eu, que fico sozinha à medida que a paragem enche e esvazia  sucessivamente, acabo por me fartar e optar seguir de outra forma. Levanto-me então, afasto-me um bom bocado e a a determinada altura olho para trás e vejo o malfadado a parar. Já estou sempre longe demais para correr e voltar. Não tenho remédio do que assumir o novo caminho, de digerir não só o tempo perdido mas também um  acre sabor de insatisfação comigo mesma que nem sei definir de onde é derivado. Se de ter esperado aquele tempo todo, se de não ter esperado só um pouco mais, se de ter olhado para trás.

3 comentários:

Ricardo disse...

Essa indefinição é fatal.

Mariam disse...

Ou não olhas para trás e segues adiante ou conformas-te com nova espera de outro autocarro.

Mas o ideal mesmo era não teres perdido aquele. Talvez se correres muito, por que não?

Apple disse...

Eu, adepta de alegorias, assino debaixo desta...

O olhar atrás é tudo o que não devemos fazer quando tomamos a decisão de seguir por outro caminho.