terça-feira, 24 de abril de 2012

Durante este ano tenho sido rodeada de um surto de mortalidade. Sempre tive uma relação mais ou menos bem resolvida com a morte, em parte porque a educação católica que recebi me ensinou a encarar com naturalidade e sem grande dramatismo a noção de mortalidade. Ajuda - e muito - pensar que existe algo depois desta vida terrena, que o fim, não é fim coisa nenhuma mas apenas uma fase demarcada de um conceito de existência amplo. Ao ser deparada constantemente com más notícias, cancros atrás de cancros basicamente, galopantes e emergentes em todas as idades, não consigo deixar-me inafectada. Além da perplexidade que sinto por mais uma vítima se ter efectivado, sinto também primeira vez, um receio egoísta. Um medo incalculável em não ter oportunidade de fazer aquilo tudo que quero fazer para ser feliz, um medo incalculável por saber que mesmo que vença todos os bichos de sete cabeças dignos de vigiar a porta do Inferno que normalmente por aqui andam, não fim, não dependa de mim. A mortalidade não me assusta portanto, só a falta de controlo. Só me resta respirar profundamente de satisfação por não ser suicida.

2 comentários:

Isa disse...

é muito triste...

Anónimo disse...

E os bons vão sempre cedo demais.