quinta-feira, 19 de abril de 2012

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Acerca deste texto da sempre certeira Isa, lembrei-me de um episódio. Encontrei-me com o meu namorado, em véspera de um feriado após quase uma semana em que a agenda profissional dele o obrigou a trabalhar todos os dias até  à uma da manhã, o que obviamente, nos impediu de estarmos juntos com a frequência normal. Depois do jantar, ali no Storik na Rua do Alecrim, fomos beber um copo ao Cais do Sodré. Estavámos muito bem no bar quando do nada aparece uma rapariga, assim com um ar de intelectual rasco, corte de cabelo de vanguarda incoerente com a roupa sem graça nenhuma (como toda a boa rapariga com a mania que é intelectual faz, aliás, questão de usar) que com um grande ar de surpresa cumprimenta-o. Ele reagiu  também com surpresa, adensada pelo facto de se ter apercebido nos instantes seguintes que ela queria conversa.

De facto, colou-se a nós: durante cerca de vinte e cinco minutos desenvolveu temas altamente interessantes como se a Portela deveria ser ou não considerada Lisboa ou um subúrbio; as férias óptimas que se passam numa aldeia piscatória cujo nome não me recordo; etc. O meu namorado respondia-lhe com "pois" e "ahh" de falso interesse e eu, pura e simplesmente, recusei-me a participar. Se de inicio estava enfurecida por estar a levar  - mais do que com alguém com uma necessidade brutal de atenção - com um real exemplar de empata fodas lusitano a partir de uma certa altura comecei a ter aquela vergonha em nome alheio pela falta da noção de rídiculo e de saber estar. Senti-me envergonhada por aquela postura de forçada sociabilidade, pela necessidade de atenção não ser suficiente para entender que estava a impor  a presença num momento privado,  quase como se fosse um sinal indicativo de uma precoce loucura traduzida naquele alheamento da realidade. Como aqueles maluquinhos que vemos na rua e que mesmo ali na esquina baixam as calças e fazem cocó e nem se apercebem da figura, coitados. O sentimento de raiva que passou a vergonha alheia  culminou todavia em pena: quando a rapariga se foi finalmente embora e ele confessou-me que durante os primeiros dez minutos, até ela mencionar onde trabalhava, não fazia a menor ideia da sua identidade.

4 comentários:

Isa disse...

:D ai R, este gajo e assim carente em ultimo grau, o que o torna num sem nocao absoluto, nao ha paciencia... cansadinha de gente louca, sabes?

Anónimo disse...

Nem sabia que havia gente assim. Incrível!

Anónimo disse...

" No creo en brujas, pero que las hay, las hay "



(gata branca)

Anónimo disse...

" No creo en brujas, pero que las hay, las hay "



(gata branca)